Microagulhamento pode espalhar câncer de pele?
Atualizado: há 2 dias

O microagulhamento é um procedimento médico com indicações reconhecidas na dermatologia — mas ele não deve ser feito sobre uma lesão de pele que ainda não foi diagnosticada. Este conteúdo reúne as respostas da Dra. Pauline Lyrio sobre o tema, publicadas originalmente em entrevista ao jornal A Gazeta em abril de 2024, revisadas e ampliadas com as orientações atuais da Academia Americana de Dermatologia (AAD).
Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 15 de setembro de 2026.
O que é microagulhamento?
O microagulhamento é um procedimento estético que consiste no rolamento de um dispositivo cravejado com diversas microagulhas capazes de realizar múltiplas microperfurações na pele. Os princípios básicos de ação do microagulhamento são: estímulo da regeneração celular por meio do processo de cicatrização, proliferação de células-tronco e estímulo da síntese de elastina, da neocolagênese (produção de colágeno) e angiogênese (proliferação de vasos sanguíneos). Sendo assim, ele pode ser indicado para diversas condições dermatológicas — os detalhes do procedimento estão na página de microagulhamento em Vitória ES.
O microagulhamento é usado para tratar quais condições?
O microagulhamento é indicado para rejuvenescimento; melhorar textura; reduzir poros dilatados; uniformizar o tom da pele; atenuar manchas, como melasma; tratar fotoenvelhecimento, estrias e cicatrizes de acne, de queimadura ou cicatrizes cirúrgicas. Pode ser usado também para tratamento de quedas de cabelo, como eflúvio telógeno e calvície. Além disso, o microagulhamento também é indicado para realizar deposição de ativos terapêuticos nas camadas mais profundas da pele e no couro cabeludo, o que chamamos de drug delivery. Potencializando, assim, a resposta aos tratamentos mencionados.
A indicação, a profundidade das agulhas e o número de sessões variam conforme o caso e são definidos em avaliação médica. Os resultados variam de pessoa para pessoa.
É possível que as células malignas se disseminem a partir do procedimento com agulhas?
Sim, é possível que células anormais de lesões malignas ou pré-malignas, como as das ceratoses actínicas, sejam disseminadas e implantadas em outros locais pelo procedimento. Pelo mesmo motivo, esse procedimento deve ser evitado em pessoas que possuam infecção ativa no local.
A orientação das sociedades médicas segue a mesma direção. A AAD lista, entre as situações em que o microagulhamento não deve ser feito, estar em tratamento de câncer de pele na área que se deseja tratar, e orienta adiar o procedimento quando existe infecção na pele. A mesma entidade registra que os aparelhos de uso doméstico podem espalhar verrugas, herpes e outros vírus pela pele — mais um motivo para o procedimento ser feito em ambiente médico, por quem sabe o que está olhando.
Como o microagulhamento "espalha" o câncer?
Um dos dispositivos utilizados para fazer as micropunturas na pele é o roller, que consiste em um cabo com uma rodinha na ponta onde ficam as microagulhas. Quando esse equipamento rola de um ponto a outro, ele vai perfurando a pele. Com isso, as células tumorais podem ser implantadas, ou seja, carregadas de uma região a outra, se disseminando.
Uma ressalva necessária para não ficar a impressão errada: o ponto não é que o microagulhamento cause câncer de pele, e sim que ele não deve ser feito sobre uma lesão que não foi examinada. Em pele avaliada, sem lesões suspeitas e sem infecção ativa, o procedimento mantém as indicações descritas acima.
Quem não deve fazer microagulhamento — e quando ele precisa esperar
A AAD descreve duas listas diferentes. Não devem fazer o procedimento pessoas que:
cicatrizam mal ou lentamente;
têm ou já tiveram cicatriz elevada do tipo queloide;
estão com a imunidade enfraquecida por uma doença ou por medicamento;
estão em tratamento de câncer de pele na área que se pretende tratar;
estão recebendo radioterapia.
E há situações em que o procedimento apenas espera: pele bronzeada ou com exposição solar recente, infecção de pele, lesões de acne dolorosas, com pus ou profundas, e uso de isotretinoína — nesse caso, a AAD orienta aguardar pelo menos um mês depois do último comprimido. Essa checagem faz parte da consulta; não é um detalhe burocrático.
Quais cuidados é preciso ter nesse caso?
Primeiramente, é fundamental que este procedimento médico seja realizado por um profissional qualificado e em um ambiente com estrutura adequada para execução do procedimento respeitando todas as normas sanitárias e de segurança. Além disso, é essencial, antes de realizar qualquer procedimento na pele, que seja realizada uma avaliação criteriosa por dermatologista, que é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento de câncer de pele e pelas demais condições da pele, a fim de identificar possíveis lesões pré-cancerígenas ou já cancerígenas e indicar o tratamento adequado.
Por que a avaliação da pele precisa vir antes do procedimento?
É fundamental realizar uma avaliação minuciosa da pele para garantir que ela esteja íntegra e que não haja lesões pré-existentes, como infecções e neoplasias que possam ser disseminadas pelo procedimento. Daí a importância da escolha de um profissional médico capacitado, preferencialmente um dermatologista que pode lançar mão de exames específicos, como a dermatoscopia, para analisar de forma mais minuciosa as lesões da pele.
Há um motivo estatístico para esse cuidado. O câncer de pele não melanoma é o tipo de câncer mais comum no Brasil: o Instituto Nacional de Câncer (INCA) trabalha com uma estimativa de 220.490 novos casos por ano. Isso não significa que o microagulhamento provoque câncer — significa que lesões de pele são frequentes o bastante para que o exame atento antes de qualquer procedimento estético faça diferença real.
Quais são os sinais do melanoma?
O melanoma se manifesta através de lesões pigmentadas, mais escuras, na pele. Apesar de sempre pensarmos no câncer de pele como uma lesão "feia", algumas vezes o melanoma pode ser confundido até mesmo com as pintinhas que possuímos no corpo.
Em geral, existem alguns sinais mais simples que precisamos estar atentos em nossas pintas e que podem ser reconhecidos por qualquer pessoa. Para facilitar a identificação de melanoma, usamos a regra do "ABCDE" do Melanoma, que destaca os seguintes sinais:
Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro maior que 6 mm e Evolução ou mudança de cor, forma ou na aparência de uma pinta ou lesão na pele.
Uma ressalva da própria AAD merece registro: embora os melanomas costumem ter mais de 6 milímetros no momento do diagnóstico, eles podem ser menores do que isso. A régua ajuda a levantar a suspeita — não substitui o exame.
É interessante passar por avaliação dermatológica regular para acompanhamento de pintas, especialmente se a pessoa possui histórico familiar de câncer de pele. Mas se for notado algum desses sinais na pele, a pessoa deve procurar o dermatologista para que possa ser realizada a dermatoscopia da lesão, um exame simples não invasivo que pode aumentar a precisão do diagnóstico e definir qual será a conduta frente a lesão, acompanhamento, biópsia para análise laboratorial e ditar o melhor tratamento.
Avaliação antes do procedimento, em Vitória ES
Se você pensa em fazer microagulhamento — ou já fez e notou alguma lesão que mudou de cor, forma ou tamanho —, a conduta é a mesma: examinar a pele primeiro. É possível agendar sua consulta online com a Dra. Pauline Lyrio, dermatologista em Vitória ES. E, depois do procedimento, vale conhecer os cuidados com a pele após um microagulhamento. A conduta de cada caso é sempre definida em avaliação individual.


