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Perguntas e respostas sobre cuidados com os cabelos

5 de dez. de 2019
6 min de leitura

Atualizado: 19 de set.


Cuidados com os cabelos

1) É comum a(o) paciente chegar e não conhecer o tipo de cabelo que tem? Isso pode fazer com que ela esteja cuidando de forma errada? Quais os maiores erros que as pessoas cometem em relação aos cabelos?

Resposta: Muitos pacientes não sabem identificar qual o seu tipo de cabelo e isso pode sim influenciar negativamente na forma como se conduzem os seus cuidados diários.


Às vezes, a pessoa até sabe qual é o seu tipo de cabelo, porém o trata de forma inadequada, sem antes passar por uma avaliação profissional, por seguir influência de outras pessoas ou de dicas da internet. Isso porque determinado tratamento que serve para um tipo de cabelo não funcionará necessariamente em qualquer tipo de cabelo. Exemplo clássico: o uso do famoso óleo de coco, do qual falarei mais adiante.


No dia a dia, nos deparamos com alguns erros cometidos de forma frequente. Por exemplo, pessoas de cabelos cacheados ou crespos tendem a utilizar muitos cremes condicionadores por toda a extensão dos fios para reduzir o volume, o que pode conferir muita umidade e oleosidade ao couro cabeludo, podendo provocar o surgimento de doenças, como a dermatite seborreica, mais conhecida como caspa. A orientação da Academia Americana de Dermatologia é aplicar o xampu no couro cabeludo, e não em todo o comprimento dos fios; já o condicionador fica reservado às pontas em cabelos finos ou lisos e pode ser aplicado em toda a extensão em cabelos secos ou cacheados.


A frequência de lavagem também muda conforme o tipo de fio. Quem tem cabelo liso e couro cabeludo oleoso pode precisar lavar diariamente; cabelos secos, texturizados, cacheados ou grossos podem ser lavados conforme a necessidade, pelo menos uma vez a cada 2 a 3 semanas, segundo a mesma entidade — que aponta a lavagem pouco frequente entre as causas comuns de descamação.


Outros hábitos que também podem predispor essa doença que cursa com coceira e descamação do couro cabeludo (dermatite seborreica, caspa) são: lavar os cabelos com água muito quente, realizar poucas lavagens semanais ou dormir com os cabelos molhados. A Sociedade Brasileira de Dermatologia relaciona, entre os fatores que desencadeiam ou agravam a dermatite seborreica, o excesso de oleosidade, o estresse e a fadiga, o álcool, alguns medicamentos, a baixa temperatura e a presença do fungo Pityrosporum ovale — e orienta não tomar banhos muito quentes, enxugar-se bem e retirar completamente o xampu e o condicionador ao lavar a cabeça. Vale registrar, ainda segundo a entidade, que a doença não é contagiosa e não é causada por falta de higiene.


Quando questionamos sobre as lavagens dos cabelos, detectamos outro erro comum: o de os pacientes não lavarem os cabelos com a frequência adequada por acharem que as lavagens poderão acarretar queda capilar, o que é um mito. No banho, manipulamos mais os cabelos, e o que ocorre, na verdade, é o desprendimento com mais facilidade dos fios telógenos, ou seja, aqueles que já estavam programados para cair. Perder entre 50 e 100 fios por dia é considerado normal pela Academia Americana de Dermatologia. Mas é importante lembrar que o banho não induz queda de fios novos — tema que detalhamos no artigo lavar o cabelo todo dia faz cair?.


2) Um cabelo com raiz oleosa pode desenvolver algo mais sério? Tipo dermatite seborreica? Como resolver essa oleosidade?

Resposta: Cabelos com raízes oleosas podem desencadear a dermatite seborreica e, consequentemente, predispor a queda. Para aliviar a oleosidade são recomendadas algumas medidas domiciliares, como melhorar a frequência das lavagens, não lavar os cabelos com água muito quente, não ir dormir com os cabelos molhados e evitar uso excessivo de produtos condicionadores. Além disso, o dermatologista poderá prescrever desde xampus específicos como medicamentos para atenuar sinais e sintomas relacionados a essa queixa.


Quando o xampu anticaspa entra no tratamento, a frequência também depende do tipo de fio: a Academia Americana de Dermatologia registra que pessoas com cabelo liso ou ondulado costumam usá-lo 2 a 3 vezes por semana, enquanto em cabelos cacheados ou crespos o dermatologista pode recomendar uma vez por semana — e que o produto precisa permanecer no couro cabeludo pelo tempo orientado para agir. O quadro completo da doença está reunido na página sobre dermatite seborreica.


3) Se arrancar um fio, ele para de crescer?

Resposta: O ato de arrancar eventualmente um fio de cabelo não causa maiores prejuízos. Entretanto, o hábito de arrancar os cabelos com frequência pode ser considerado um transtorno compulsivo — a tricotilomania — e, repetido por períodos prolongados, provocar cicatrizes e levar à perda definitiva dos fios naquela área.


Vale diferenciar duas situações que costumam ser confundidas: a Academia Americana de Dermatologia lista, como causas distintas de perda de cabelo, a compulsão de arrancar os fios e os penteados que tracionam o cabelo. Nesse segundo caso — tranças, apliques, dreads e rabos de cavalo muito apertados, usados de forma continuada —, a perda recebe o nome de alopecia de tração e também pode se tornar definitiva quando a tração não é interrompida a tempo.


4) É bom usar shampoo anti-resíduos de vez em quando? Com qual frequência?

Resposta: Os shampoos anti-resíduos eliminam restos de cremes de cabelo, poluição e oleosidade, ajudando a deixar os fios mais limpos e no ponto certo para receber alguns tratamentos capilares. São muito utilizados previamente a procedimentos de salão, bem como alisamentos, visando uma melhor penetração dos ativos, mas também podem ser usados 1 vez na semana, para ajudar a combater a oleosidade. Já os cabelos secos e tingidos exigem mais cautela no seu uso, pelo maior ressecamento que esse produto confere, sendo indicado no máximo 1 vez ao mês.


5) Certos alimentos ajudam o cabelo a crescer mais e mais forte? Quais?

Resposta: Não há um alimento em especial que faça o cabelo crescer mais ou mais forte, porém uma alimentação balanceada contribui para o aporte adequado dos nutrientes de que os fios precisam para crescer saudáveis.


6) Quando é o caso de tomar suplemento vitamínico?

Resposta: Quando a alimentação não é suficiente ou quando detectamos, por meio de exames de sangue, deficiências de alguns componentes, como sais minerais e vitaminas, é válido realizar reposição com suplementos vitamínicos a fim de estabelecer a homeostase, ou seja, o equilíbrio do organismo. A indicação parte da avaliação médica e dos exames, e não de uma recomendação genérica — o que cada nutriente de fato representa para o fio está reunido no artigo sobre vitaminas essenciais para os cabelos.


7) É preciso usar pré-shampoo ou isso é marketing?

Resposta: O uso do pré-shampoo pode até ser associado, no máximo 3 vezes na semana, em cabelos que já estão muito danificados e existe uma preocupação de um maior ressecamento durante a lavagem, como os cabelos com mechas ou com outras químicas. Mas, em linhas gerais, não há uma obrigatoriedade no seu uso.


8) Óleo de coco é bom para o cabelo?

Resposta: O óleo de coco pode auxiliar na hidratação dos fios danificados pela ação de escovas quentes, chapinhas, tinturas etc, porém seu uso em excesso (quando utilizado mais de 1 vez na semana e por tempo superior a 2 horas antes das lavagens) pode levar a um aumento da oleosidade, propiciando o surgimento de caspa e queda capilar. Além disso, em cabelos saudáveis e sem indicação pode, até mesmo, ocasionar o efeito contrário com o ressecamento capilar, pois o óleo de coco pode saturar, ou seja, preencher todo espaço do fio impedindo a entrada de água, tornando-o mais duro e ressecado por dentro, com aspecto plastificado.


O que a literatura descreve é que o óleo de coco, por ser um triglicerídeo de ácido láurico com afinidade pelas proteínas capilares, penetra na haste do fio e reduz a perda proteica associada à lavagem e à escovação — efeito que uma revisão publicada no Journal of the American College of Nutrition (2018) considera possível, mas ainda dependente de mais estudos para ser confirmado. Ou seja: pode auxiliar em fios danificados, não é tratamento para queda e os resultados variam de pessoa para pessoa.


9) O que mais maltrata os fios: descoloração ou tintura?

Resposta: Ambos os procedimentos agridem os fios, porém é esperado que a descoloração agrida mais que a coloração pelo fato de o descolorante necessitar penetrar na cutícula dos fios para remover todo o pigmento. Durante esse processo, o fio perde massa capilar, ou seja, fica mais ressecado e frágil. Já a tintura não possui essa função clareadora, maltratando menos os cabelos.


10) Quando é hora de procurar o dermatologista?

Resposta: Vale marcar uma consulta quando a queda aumenta de forma perceptível e persiste por semanas, quando surgem falhas ou áreas de rarefação no couro cabeludo, quando há coceira, descamação, dor ou feridas que não melhoram com os cuidados habituais, ou quando os fios se tornam quebradiços de forma progressiva. O diagnóstico depende do exame do couro cabeludo e, muitas vezes, de exames complementares — cada caso exige avaliação médica individual, e nenhum conteúdo informativo substitui a consulta.


Saiba mais sobre queda de cabelos em nossa página completa sobre queda de cabelo.


Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 6 de setembro de 2026.

 
 
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