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Queda de cabelo na menopausa: o papel dos hormônios e os tratamentos

há 3 dias
6 min de leitura
Corte do couro cabeludo com folículos que afinam aos poucos antes, durante e depois da transição da menopausa

Na menopausa, a queda do estrogênio deixa os folículos mais sensíveis à ação dos androgênios, e muitos fios passam a nascer mais finos e mais curtos. O resultado costuma ser um afinamento gradual, sobretudo no alto da cabeça. Nem toda queda nessa fase é hormonal, porém: identificar o tipo é o que define o tratamento.


Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 1 de outubro de 2026.


Por que o cabelo muda na menopausa?

O folículo piloso é um tecido sensível ao estrogênio. Durante a vida reprodutiva, esse hormônio ajuda a manter os fios na fase de crescimento por mais tempo. Quando os ovários reduzem a produção, os androgênios (hormônios presentes em pequena quantidade também nas mulheres) passam a ter um peso relativo maior sobre o folículo, mesmo que os níveis no sangue continuem normais.


Essa transição não acontece de um dia para o outro. Uma revisão publicada no periódico Maturitas lembra que as oscilações hormonais podem começar até 10 anos antes da última menstruação e descreve as mudanças mais comuns nos fios:

  • Menos densidade: o volume total diminui, e o couro cabeludo fica mais visível.

  • Fios mais finos: o mesmo folículo passa a produzir um fio de calibre menor, processo chamado de miniaturização.

  • Textura diferente: o cabelo pode ficar mais seco, mais frágil e mais difícil de modelar.


Essas alterações também têm peso emocional. Perder volume no cabelo afeta a autoestima de muitas mulheres, e esse impacto merece ser levado a sério na consulta.


Quais tipos de queda são mais comuns depois da menopausa?

Uma revisão sistemática publicada no American Journal of Clinical Dermatology reuniu 40 estudos sobre a menopausa e doenças de pele frequentes. Entre todas as condições avaliadas, as alopecias foram as que mostraram a associação mais forte com a pós-menopausa — em especial a alopecia de padrão feminino e a alopecia frontal fibrosante —, com risco maior quando a menopausa foi precoce ou cirúrgica. Na prática do consultório, três quadros merecem atenção.


Alopecia de padrão feminino

É a causa mais comum de afinamento capilar nas mulheres. Segundo a Academia Americana de Dermatologia (AAD), ela costuma começar na meia-idade, quando a mulher está entre os 40 e os 60 anos, e é mais frequente depois da menopausa. Tem forte componente hereditário. O sinal típico é a risca do cabelo que vai se alargando no alto da cabeça, com a linha da frente geralmente preservada. É um quadro progressivo: sem tratamento, tende a avançar devagar.


Se você ainda não chegou à menopausa e quer entender as outras causas de queda em mulheres, o post sobre queda de cabelo feminina: causas e tratamentos traz o panorama geral.


Eflúvio telógeno

Aqui o problema não é o fio afinar, e sim cair em quantidade maior que a habitual, de forma espalhada. A AAD considera normal perder entre 50 e 100 fios por dia; acima disso, por semanas seguidas, fala-se em eflúvio. Na meia-idade, gatilhos como alterações da tireoide, falta de ferro, dietas restritivas, doenças com febre, cirurgias, estresse intenso e mudanças de medicação são frequentes, e às vezes se somam à alopecia de padrão feminino. O post sobre eflúvio telógeno e a queda após estresse explica esse quadro em detalhe.


Alopecia frontal fibrosante

É menos comum, mas importante de reconhecer cedo. A linha do cabelo na testa e nas têmporas recua aos poucos, formando uma faixa de pele lisa, e as sobrancelhas costumam rarear. Segundo a AAD, a maioria das mulheres percebe a queda de 2 a 12 anos depois do início da menopausa, e entre 80% e 95% das diagnosticadas perdem parte ou toda a sobrancelha. Por ser uma alopecia cicatricial, o folículo destruído não volta a produzir fio — por isso o diagnóstico precoce faz diferença: o tratamento busca frear a progressão.


Como o dermatologista descobre a causa da queda?

A avaliação começa pela conversa: quando a queda começou, como evoluiu, se há histórico familiar, quais medicamentos e suplementos você usa, como estão o sono, a alimentação e o ciclo menstrual. Em seguida vem o exame do couro cabeludo, das sobrancelhas e dos fios.


A tricoscopia, o exame que revela a causa da queda de cabelo, amplia a imagem do couro cabeludo e mostra sinais que diferenciam a miniaturização da alopecia de padrão feminino, o eflúvio e as alopecias cicatriciais. Um relatório de especialistas da Androgen Excess and PCOS Society, publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, recomenda investigar sinais de excesso de androgênios em toda mulher com alopecia de padrão feminino e considera recomendáveis as dosagens de ferro, vitamina D, zinco, hormônios da tireoide e prolactina. Os exames pedidos variam conforme a história de cada paciente.


Quais são os tratamentos para a queda de cabelo na menopausa?

O tratamento depende do diagnóstico. No eflúvio, o principal é corrigir o gatilho, e o cabelo tende a se recuperar com o tempo. Na alopecia frontal fibrosante, o objetivo é controlar a inflamação e estabilizar a linha do cabelo. Na alopecia de padrão feminino, as opções mais usadas são:

  • Minoxidil tópico: é o tratamento de primeira linha. O mesmo relatório de especialistas recomenda iniciar com minoxidil a 5%. Segundo a AAD, pode haver aumento temporário da queda nas primeiras semanas de uso, e são necessários de 6 a 12 meses de uso contínuo para saber se ele funciona para você. Ao interromper, o benefício se perde.

  • Medicamentos por via oral: em alguns casos, o dermatologista pode associar medicamentos como a espironolactona ou outros que atuam sobre a ação dos androgênios. São usos fora da bula original, com contraindicações e efeitos colaterais que exigem prescrição e acompanhamento médico.

  • Tratamentos complementares: laser de baixa potência e plasma rico em plaquetas aparecem como opções em estudo; segundo a AAD, os resultados iniciais são promissores, mas ainda faltam estudos para confirmar segurança e eficácia a longo prazo.

  • Suplementos: só fazem sentido quando os exames mostram uma deficiência. Fora disso, a evidência é fraca, e alguns suplementos interagem com medicamentos.


Os resultados variam de pessoa para pessoa, e o cabelo cresce devagar: qualquer tratamento precisa de meses para ser avaliado. O que costuma dar mais resultado é começar cedo, assim que o afinamento aparece.


A reposição hormonal trata a queda de cabelo?

Não como indicação isolada. Uma revisão publicada em 2026 no periódico Dermatology concluiu que a terapia hormonal não está indicada para tratar apenas a queda de cabelo na menopausa. Para quem já tem indicação de reposição por outros motivos, como as ondas de calor, a mesma revisão aponta que o estrogênio por via transdérmica pode ser mantido sem aumentar a preocupação com o cabelo. Já a testosterona por via sistêmica é contraindicada em mulheres, segundo os autores.


A decisão sobre reposição hormonal envolve outros benefícios e riscos e é tomada com o ginecologista. O papel do dermatologista é tratar a queda e trocar informações com o ginecologista quando um tratamento interfere no outro.


Cuidados do dia a dia que ajudam o cabelo nessa fase

  • Prefira penteados soltos e evite prender o cabelo sempre no mesmo ponto com força.

  • Use calor de secador e chapinha com moderação: o fio mais fino quebra com mais facilidade.

  • Mantenha uma alimentação com proteína e ferro suficientes; dietas muito restritivas podem desencadear eflúvio.

  • Lavar o cabelo com a frequência que você preferir não aumenta a queda — os fios que saem no banho já estavam se soltando.

  • Leve à consulta a lista de medicamentos, hormônios e suplementos que você usa.


Quando procurar o dermatologista?

Procure avaliação se a risca estiver se alargando, se o rabo de cavalo estiver mais fino, se a linha da testa ou as sobrancelhas estiverem recuando, se houver coceira, ardor ou dor no couro cabeludo, ou se a queda diária estiver claramente acima do habitual. Uma avaliação da queda de cabelo em Vitória permite identificar o tipo de alopecia e indicar o tratamento adequado. Cada caso é avaliado individualmente.


Perguntas frequentes

A queda de cabelo da menopausa passa sozinha?

Depende do tipo. O eflúvio telógeno costuma melhorar quando o gatilho é corrigido. Já a alopecia de padrão feminino é progressiva e tende a avançar devagar sem tratamento, e a alopecia frontal fibrosante pode deixar perda definitiva. Por isso vale investigar cedo.


O cabelo que afinou na menopausa volta a engrossar?

Em parte dos casos, sim. Na alopecia de padrão feminino, o tratamento pode frear a progressão e recuperar parte da densidade, enquanto o folículo ainda existe. A resposta varia de pessoa para pessoa e só pode ser avaliada após alguns meses de uso contínuo.


Minoxidil pode ser usado depois dos 50 anos?

Pode, e é uma das opções mais usadas na alopecia de padrão feminino. A dose, a forma de uso e a associação com outros tratamentos são definidas na consulta, considerando a saúde geral e os demais medicamentos em uso.


Perder as sobrancelhas tem relação com a menopausa?

Pode ter. A rarefação das sobrancelhas é um sinal frequente da alopecia frontal fibrosante, que costuma aparecer depois da menopausa. Se as sobrancelhas e a linha da testa estão rareando ao mesmo tempo, vale procurar avaliação dermatológica.


Preciso fazer exames de sangue?

Muitas vezes, sim. Exames para avaliar ferro, tireoide, vitamina D e hormônios ajudam a encontrar causas que se somam à queda. Quais exames pedir é decidido na consulta, a partir da história e do exame do couro cabeludo.


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Quer entender por que o seu cabelo está afinando? Agende sua avaliação pelo WhatsApp (27) 99707-0222. A avaliação médica individual define o tratamento de cada caso.

 
 
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