Como cuidar da pele no verão: proteção solar, hidratação e pós-sol
Atualizado: 19 de set.

Como cuidar da pele no verão: proteção solar, hidratação e pós-sol
Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 17 de setembro de 2026.
Em Vitória, o verão não é um detalhe do calendário: é sol forte quase o ano inteiro, praia a poucos minutos de casa, maresia, suor e ar-condicionado em sequência. A combinação cobra da pele de um jeito específico — e a boa notícia é que os cuidados que funcionam são simples, baratos e bem estabelecidos.
Este guia reúne o essencial da estação: como usar o protetor solar de fato (e não apenas passar), o que a roupa faz pela sua pele, como ajustar a hidratação ao calor, o que fazer depois de um dia de sol e o que a evidência sustenta — ou não — sobre alimentação e proteção solar.
Importância da Proteção Solar
A radiação ultravioleta é a principal causa de dano cutâneo no verão. A exposição sem proteção provoca queimaduras, aumenta o risco de câncer de pele e responde pela maior parte do envelhecimento cutâneo visível: rugas, manchas e perda de firmeza.
Esse último ponto deixou de ser opinião há mais de uma década. Um ensaio clínico randomizado conduzido em Nambour, na Austrália, acompanhou 903 adultos por quatro anos e meio e comparou o uso diário de protetor solar ao uso conforme a vontade de cada um: o grupo do uso diário apresentou 24% menos envelhecimento cutâneo no período (chance relativa 0,76; intervalo de confiança de 95%: 0,59 a 0,98). Nenhum creme antienvelhecimento tem resultado comparável a esse pelo mesmo custo.
Vale saber, também, que os dois tipos de raio agem de formas diferentes: os UVA penetram mais fundo, envelhecem a pele e atravessam o vidro comum — por isso o carro e a janela do escritório não são abrigo; os UVB são os principais responsáveis pela queimadura e são bloqueados pelo vidro. O aprofundamento sobre os mecanismos da radiação está no post sobre como proteger a pele dos raios UV.
Como usar o protetor solar no verão
O erro mais comum não é escolher o produto errado — é usar pouco e reaplicar de menos. As orientações abaixo são da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Academia Americana de Dermatologia (AAD):
FPS mínimo 30, todos os dias. A SBD indica produtos com FPS 30 ou superior tanto para o uso diário quanto para a exposição mais longa — praia, piscina, pesca. O produto precisa proteger contra UVB (indicado pelo FPS) e contra UVA (indicado pelo PPD). FPS acima de 30 pode ser indicado conforme o fototipo, o histórico de manchas e o tempo de exposição; essa definição é individual.
Aplique antes de sair. A SBD orienta aplicar 30 minutos antes da exposição, para que a pele absorva o produto.
Use quantidade suficiente. Este é o ponto que mais compromete o resultado real: a AAD orienta cerca de uma colher de chá só para o rosto — mais ou menos o volume que cobre o comprimento dos dedos indicador e médio — e cerca de 30 ml para o corpo todo descoberto.
Reaplique a cada duas horas. A SBD reforça que esse intervalo diminui se houver transpiração excessiva ou entrada na água.
Não esqueça as áreas que ninguém lembra. Orelhas, nuca, dorso das mãos e dos pés, contorno do couro cabeludo e lábios — nos lábios, com batom ou protetor labial com FPS 30 ou superior.
Dia nublado também queima. Segundo a AAD, até 80% dos raios UV atravessam as nuvens.
Areia, água e piso claro refletem a radiação e aumentam a dose que chega à pele — motivo para redobrar o cuidado na praia, mesmo debaixo da barraca.
Duas observações que costumam aparecer na consulta: pele negra e parda também precisa de fotoproteção — a melanina oferece alguma proteção natural, mas não impede queimadura, manchas nem câncer de pele, como lembra a SBD; e crianças usam protetor solar a partir dos seis meses, com produto adequado à pele mais sensível e orientação do pediatra ou do dermatologista.
Roupa, chapéu, óculos e sombra
Protetor solar é uma camada de proteção, não a única — e sozinho ele quase nunca dá conta de um dia inteiro ao ar livre. A barreira física é o reforço mais confiável, porque não depende de reaplicação:
Roupa de algodão. A SBD registra que chapéu e roupas de algodão bloqueiam a maior parte da radiação UV, enquanto tecidos sintéticos como o náilon bloqueiam apenas 30%. Peças com fator de proteção UV declarado (UPF) na etiqueta são uma opção a mais.
Chapéu de aba larga protege rosto, orelhas e nuca — três das regiões onde mais aparecem lesões pelo sol acumulado ao longo da vida.
Óculos de sol com proteção UV previnem catarata e outras lesões oculares, além de poupar a pele fina das pálpebras.
Barraca de algodão ou lona absorve cerca de metade da radiação UV, segundo a SBD — bem mais do que os modelos de tecido fino.
Horário. A SBD orienta evitar a exposição entre 10 e 16 horas (horário de verão). A AAD situa o pico da radiação num intervalo mais estreito, entre 10h e 14h, com uma regra prática útil: se a sua sombra está menor que você, procure sombra.
Uma lembrança que quase ninguém recebe: cicatrizes recentes devem ser protegidas do sol, porque podem escurecer de forma duradoura. Fita, curativo ou protetor solar resolvem.
Hidratação da Pele
Calor, sal, cloro, banhos repetidos e ar-condicionado formam uma combinação desidratante. No verão, a pele costuma pedir menos textura e mais frequência: hidratantes leves, de rápida absorção, aplicados logo após o banho, com a pele ainda úmida.
Prefira banhos mornos ou frios e mais curtos — água quente remove o manto lipídico e deixa a pele mais seca do que antes. Depois da praia ou da piscina, enxaguar o sal e o cloro antes de hidratar faz diferença real.
Sobre beber água: a SBD orienta aumentar a ingestão de líquidos no verão, e faz sentido — o corpo perde mais líquido com o calor e o suor. O que não se sustenta é a promessa de que beber mais água hidrata a pele por si só: uma revisão sistemática publicada em Skin Research and Technology analisou seis estudos em adultos saudáveis e classificou a evidência como fraca em quantidade e em qualidade, com ganho discreto de hidratação do estrato córneo sobretudo em quem bebia pouco antes. Hidratar o corpo por dentro é saúde; hidratar a pele é tarefa do hidratante.
A montagem completa da rotina — escolha do produto por tipo de pele, ordem de aplicação e o que evitar — está no post sobre hidratação da pele.
Cuidados Pós-Sol
Queimadura solar não é "pele bronzeando": é lesão. A orientação da AAD para o cuidado imediato é direta — sair do sol assim que perceber, de preferência para um ambiente interno, e então:
tomar banhos ou duchas frias com frequência para aliviar a dor, secando a pele com batidinhas de toalha;
aplicar hidratante com aloe vera ou soja com a pele ainda úmida do banho, e sempre que houver desconforto;
compressa fria e úmida sobre a área afetada;
beber água além do habitual, porque a queimadura desloca líquido para a superfície da pele e favorece a desidratação;
evitar produtos com álcool ou fragrâncias fortes, que irritam a pele já sensibilizada.
Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ajudar no desconforto, mas dose e indicação dependem da avaliação — e existem contraindicações individuais. Se aparecerem bolhas, não as estoure: bolha significa queimadura de segundo grau, e a pele íntegra da bolha protege contra infecção. Queimadura extensa, com bolhas, febre, calafrios, confusão ou dor intensa pede atendimento médico.
Um ponto que o marketing do verão insiste em esconder: não existe bronzeado seguro. Toda vez que a pele escurece pelo sol, houve dano — e esse dano é cumulativo.
Alimentação e Saúde da Pele
Alimentação equilibrada faz bem à pele como faz bem ao resto do corpo, e a SBD registra que alimentos ricos em carotenoides — cenoura, abóbora, mamão, maçã e beterraba — têm ação antioxidante e podem auxiliar na prevenção de danos causados pelo sol.
É importante, porém, dimensionar essa ajuda com honestidade. O mesmo ensaio clínico de Nambour citado acima testou suplementação de betacaroteno contra placebo e não encontrou efeito sobre o envelhecimento cutâneo, enquanto o protetor solar diário reduziu o desfecho. Traduzindo: comer bem soma; não protege. Nenhum alimento, suplemento ou "protetor solar oral" substitui filtro, roupa, chapéu e sombra.
No calor, frutas e legumes com alto teor de água ajudam na hidratação corporal e são boas escolhas de rotina — sem promessa de resultado na pele.
Perguntas frequentes
Preciso usar protetor solar em dia nublado ou dentro de casa?
Em dia nublado, sim: segundo a AAD, até 80% da radiação UV atravessa as nuvens. Dentro de casa, depende da exposição — quem passa horas perto de janelas recebe UVA, que atravessa o vidro comum, e se beneficia do uso diário.
Qual é a quantidade certa de protetor solar?
Mais do que a maioria usa. Para o rosto, cerca de uma colher de chá; para o corpo descoberto, cerca de 30 ml. Aplicar pouco reduz a proteção real a uma fração do FPS que está no rótulo.
Maquiagem com FPS substitui o protetor solar?
Não. A quantidade aplicada de base ou pó é muito menor do que a usada nos testes que definem o FPS, e a reaplicação é irregular. Serve como camada extra, não como proteção principal.
Bronzeado "de base" protege da queimadura?
Não de forma clinicamente útil. O escurecimento é a resposta da pele a um dano que já ocorreu, e a proteção que ele confere é muito baixa. Não existe forma segura de se bronzear — e o bronzeamento artificial em câmaras é proibido no Brasil pela Anvisa.
Posso fazer tratamentos estéticos no verão?
Alguns sim, outros pedem outra época do ano — a resposta muda conforme o procedimento, o seu fototipo e a exposição solar prevista nas semanas seguintes. É uma decisão de consulta, não de calendário.
Sol ajuda na acne?
É uma impressão comum e enganosa. O sol pode dar a sensação de melhora inicial por ressecar a superfície, mas costuma ser seguido de piora semanas depois, além de escurecer as marcas deixadas pelas lesões. A SBD descreve ainda a acne solar, ligada à combinação de oleosidade, suor, filtro solar e radiação.
Avaliação com dermatologista em Vitória
Manchas que surgiram ou mudaram depois do verão, pintas com alteração de cor, tamanho ou formato, queimaduras de repetição, acne que piora na estação ou dúvida sobre qual protetor solar combina com a sua pele: todos são bons motivos para uma avaliação com dermatologista em Vitória - ES. O exame dermatológico separa o que é dano solar benigno do que merece investigação, e o plano de fotoproteção passa a ser o seu, não o genérico. O atendimento em dermatologia clínica é feito a partir dos 10 anos de idade, e os resultados de qualquer tratamento variam de pessoa para pessoa.
Agende sua consulta pelo telefone (27) 3029-2222 ou pelo WhatsApp (27) 99707-0222, de segunda a sexta, das 08:00 às 18:00.


