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Eczema de inverno (asteatose): por que a pele resseca e descama no frio

  • há 1 hora
  • 5 min de leitura

Por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista e Tricologista (CRM/ES 10809 · RQE 8532). Atualizado em 16 de junho de 2026.

Quando a pele começa a repuxar, coçar e descamar no inverno, muitas vezes o motivo é a asteatose — também chamada de eczema asteatótico ou "eczema de inverno". É uma forma de dermatite provocada pelo ressecamento intenso: com o frio e o ar seco, a barreira da pele perde água e lipídios, racha e inflama. É comum, costuma melhorar com cuidados simples e, quando persiste, merece avaliação dermatológica.

O que é o eczema de inverno (asteatose)?

A asteatose é uma dermatite que aparece quando a pele fica extremamente seca. O termo "eczema craquelé" descreve bem o aspecto: a superfície ganha finas fissuras avermelhadas, que lembram porcelana rachada ou um leito de rio seco. As pernas (canelas) são a região mais afetada, mas braços, mãos e tronco também entram na conta. É mais frequente em pessoas mais velhas, porque a pele produz menos óleo e retém menos água com o passar dos anos (StatPearls, NCBI/NIH).

O mecanismo central é a falha da camada mais externa da pele — o estrato córneo — em funcionar como barreira. A água escapa em excesso (o que os dermatologistas chamam de perda de água transepidérmica), a pele desidrata, as células encolhem e a superfície racha. Essas microfissuras abrem caminho para irritação e inflamação, e é aí que surgem a vermelhidão e a coceira. Mesmo em Vitória, uma capital litorânea, o inverno mais seco, o ar-condicionado e os banhos muito quentes já bastam para desencadear o quadro.

Por que o frio resseca e racha a pele?

No inverno, a baixa umidade do ar e a queda da temperatura reduzem a transpiração e a produção de óleo (sebo), deixando a pele naturalmente mais seca — é a chamada xerose cutânea, a base sobre a qual a asteatose se instala. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) destaca que o ar seco e o frio favorecem o ressecamento e que alguns hábitos da estação costumam agravar o problema.

O maior vilão é o banho muito quente e demorado: a água quente remove a camada de lipídios que sela a hidratação da pele. Sabonetes agressivos, buchas, ambientes aquecidos e roupas de lã em contato direto completam a lista de gatilhos. Sem esse "cimento" de lipídios entre as células, a barreira não se fecha, a água continua evaporando e o ciclo de ressecamento, fissura e coceira se mantém.

Como cuidar da pele ressecada no inverno

A boa notícia é que, na maioria dos casos, ajustes na rotina já aliviam bastante. As medidas abaixo, recomendadas pela Academia Americana de Dermatologia (AAD) e pela SBD, podem auxiliar — os resultados variam conforme a intensidade do quadro:

  • Banhos curtos e mornos (5 a 10 minutos), nunca quentes — a água quente piora o ressecamento;

  • Sabonete suave, sem fragrância, apenas onde é realmente necessário; seque a pele com leves toques, sem esfregar;

  • Hidratante na pele ainda úmida, nos primeiros minutos após o banho, e ao longo do dia — a SBD orienta hidratar 2 a 3 vezes ao dia no inverno;

  • Prefira cremes e pomadas a loções: seguram melhor a água. Procure ativos como glicerina, ácido hialurônico, ceramidas, ureia, manteiga de karité ou petrolato (AAD);

  • Evite produtos com álcool, fragrância e ácidos/retinoides nas áreas ressecadas, que podem irritar ainda mais;

  • Umidifique o ambiente, use luvas para lavar louça e prefira roupas leves de algodão;

  • Não abandone o protetor solar: o sol continua presente no inverno (veja 5 motivos para usar protetor solar todos os dias).

Vale montar uma rotina de hidratação consistente — reunimos as bases dela no guia sobre hidratação da pele. Lábios e mãos pedem atenção extra; se rachuram no frio, veja também os cuidados com lábios ressecados no inverno.

Quando procurar a dermatologista?

Se a pele continua ressecada, coçando ou descamando mesmo com os cuidados, ou se há fissuras que sangram, vermelhidão importante, feridas ou sinais de infecção, é hora de procurar avaliação. A pele muito seca também pode ser a manifestação de outras condições — como dermatite atópica, psoríase ou alterações sistêmicas (tireoide, rins) — que precisam de diagnóstico (AAD). Em quadros inflamados, o tratamento pode incluir, por tempo limitado e sob prescrição, um corticoide tópico, sempre associado à reconstrução da barreira com hidratantes.

Cada pele é diferente, e só a avaliação individual define a causa e o melhor protocolo. Conheça a dermatologia clínica em Vitória ES e, se precisar, agende uma consulta para investigar o que está por trás do ressecamento.

Perguntas frequentes sobre eczema de inverno

Asteatose e pele seca são a mesma coisa?

Não exatamente. A pele seca (xerose) é o ponto de partida; a asteatose é o passo seguinte, quando o ressecamento fica tão intenso que a pele racha e inflama, formando o eczema. Toda asteatose envolve pele muito seca, mas nem toda pele seca evolui para asteatose.

Banho quente faz mal para a pele ressecada?

Faz. A água muito quente e o banho demorado removem os lipídios que seguram a hidratação, piorando o ressecamento. O ideal são banhos curtos, de 5 a 10 minutos, com água morna, hidratando a pele ainda úmida logo depois.

Qual hidratante é melhor para a pele que descama no inverno?

Para pele muito seca, cremes e pomadas costumam funcionar melhor que loções. Procure fórmulas sem fragrância com ingredientes como glicerina, ácido hialurônico, ceramidas, ureia ou petrolato, e aplique com a pele úmida. A escolha ideal depende do seu tipo de pele e pode ser ajustada na consulta.

Preciso de protetor solar no inverno mesmo com a pele seca?

Sim. A radiação solar continua presente no inverno, e proteger a pele faz parte do cuidado o ano inteiro. Existem protetores hidratantes, de textura confortável para pele seca — inclusive opções com cor.

Eczema de inverno tem cura?

A asteatose costuma melhorar bem com a reposição da hidratação e o ajuste da rotina, mas tem tendência a voltar a cada inverno em quem tem pele seca. Por isso o foco é controlar e prevenir: manter a barreira da pele bem cuidada nos meses frios é o que evita as recaídas.

Conteúdo revisado pela Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista e Tricologista, CRM/ES 10809 · RQE 8532. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Academy of Dermatology (AAD). Pós-graduação em Cosmiatria, Laser e Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Última atualização: 16 de junho de 2026.

A pele resseca e descama todo inverno? Agende sua avaliação com a Dra. Pauline Lyrio pelo WhatsApp (27) 99707-0222 e conheça a dermatologia clínica em Vitória ES.

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