Verruga ou queratose seborreica? Diferenças e quando remover
Atualizado: há 1 dia

Verruga e queratose seborreica podem ficar muito parecidas a olho nu — ásperas, elevadas, às vezes escuras —, mas têm origens opostas: a verruga é uma infecção pelo HPV e pode se espalhar; a queratose seborreica é uma lesão benigna que aparece com o passar dos anos e não contagia ninguém. Confundir as duas muda a conduta e, em alguns casos, atrasa o diagnóstico de algo mais sério.
Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 18 de setembro de 2026.
A diferença que organiza tudo: vírus de um lado, tempo de pele do outro
A verruga é uma proliferação benigna causada pelo papilomavírus humano (HPV), que infecta as camadas mais superficiais da pele ou da mucosa e desorganiza o crescimento das células, explica a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Existem mais de 200 tipos de HPV, segundo a American Academy of Dermatology (AAD), e só alguns deles causam verrugas. Para entrar na pele, o vírus precisa de uma porta: um corte, uma escoriação, uma unha roída, as microlesões de barbear ou depilar. É por isso que as verrugas se concentram justamente nas áreas que sofrem mais trauma.
A queratose seborreica — grafada ceratose seborreica na literatura médica brasileira — não tem nada a ver com vírus. A SBD a descreve como uma lesão benigna da camada mais superficial da pele, em geral arredondada ou irregular, de cor acastanhada, amarronzada ou negra, com aspecto verrucoso, mais comum na face e no tronco, e com forte componente genético. A AAD acrescenta duas informações que resolvem boa parte da confusão: essas lesões não são contagiosas e podem surgir em qualquer parte do corpo, exceto nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Como começam na meia-idade e têm superfície rugosa, a AAD as apelidou de "cracas do envelhecimento".
Como a verruga costuma se apresentar
O aspecto muda conforme o local. As verrugas vulgares — as mais comuns — são pápulas irregulares, endurecidas e ásperas, isoladas ou agrupadas, frequentes nas mãos, dedos, cotovelos, joelhos e ao redor das unhas. As filiformes parecem projeções finas e alongadas e aparecem sobretudo na face, no pescoço, nas pálpebras e nos lábios. As planas são pequenas, lisas, de no máximo 5 mm, e costumam surgir em grupo na face e no dorso das mãos. As plantares crescem para dentro pelo peso do corpo, doem ao andar e ganharam o apelido de "olho de peixe" pelo anel espesso com pontinhos escuros no centro. Esses pontinhos, esclarece a AAD, não são "raízes" da verruga: são vasos sanguíneos.
A idade também é uma pista. O pico de incidência das verrugas acontece entre 12 e 16 anos, segundo a SBD, e uma revisão publicada em 2022 no International Journal of Environmental Research and Public Health estima que a infecção atinja mais de 40% das crianças na segunda década de vida. Depois do contato com o vírus, podem passar semanas ou meses até a lesão aparecer — o que explica por que quase ninguém consegue apontar quando "pegou".
Há ainda as verrugas anogenitais, que têm outra lógica de transmissão, outro risco e outro manejo — inclusive pela relação bem estabelecida entre alguns subtipos de HPV e o câncer do colo do útero. Elas não são tratadas neste consultório: o caminho, nesses casos, é um serviço especializado, e a orientação sobre isso pode ser dada na avaliação.
Como a queratose seborreica costuma se apresentar
Segundo a AAD, essas lesões começam como pequenas saliências ásperas, engrossam devagar e desenvolvem uma superfície verrucosa. O detalhe que mais ajuda é a textura: elas têm um aspecto ceroso, como se estivessem coladas por cima da pele, e não brotando de dentro dela — a comparação usada pela academia americana é a de pingos de cera de vela morna. A cor vai do branco ao preto, com predomínio de tons castanhos, e o tamanho varia de poucos milímetros a mais de três centímetros. Costumam não doer, embora algumas cocem.
São extremamente comuns. Um levantamento com 100 adultos australianos publicado no British Journal of Dermatology encontrou queratoses seborreicas em 12% das pessoas entre 15 e 25 anos e em 100% das que tinham mais de 50 anos, com a mediana subindo de 6 lesões por pessoa no grupo mais jovem para 69 entre os maiores de 75 anos. Vale a ressalva de que se trata de uma população australiana de pele clara e alta exposição solar, o que não se transfere diretamente para a população brasileira — mas a direção do achado é consistente: quanto mais anos de pele, mais lesões.
Seis pistas que ajudam a diferenciar (e nenhuma que decide sozinha)
Idade de aparecimento: verrugas concentram-se em crianças e adolescentes; queratoses seborreicas começam na meia-idade e se multiplicam com o tempo.
Local: lesão na palma da mão ou na planta do pé não é queratose seborreica — a AAD é explícita ao excluir essas regiões.
Textura: a queratose seborreica tende ao aspecto "colado por cima"; a verruga costuma parecer parte da pele, com superfície mais córnea e bordas que se continuam no tecido.
Multiplicação: verrugas se espalham por autoinoculação — novas lesões surgem ao redor, nos dedos vizinhos ou onde a pele foi ferida. Queratoses seborreicas aparecem em áreas diferentes, sem essa relação com trauma.
Contágio em casa: se outra pessoa da casa desenvolveu lesões parecidas no mesmo período, o cenário favorece verruga. Queratose seborreica não passa de pessoa para pessoa.
Pontinhos escuros: aparecem em verrugas e são vasos sanguíneos, segundo a AAD — mas pontos escuros também surgem em outras lesões, e esse sinal isolado não fecha diagnóstico.
Nenhuma dessas pistas é suficiente sozinha. Elas servem para organizar a conversa na consulta, não para substituí-la.
Por que tratar por conta própria é o erro mais caro
Este é o ponto que justifica o post inteiro. A própria AAD orienta: se você não tem 100% de certeza de que a lesão é uma verruga, não use tratamentos caseiros. Há dois motivos. O primeiro é que produtos de farmácia para verruga, geralmente à base de ácido salicílico, agem removendo camadas da pele — aplicados sobre uma queratose seborreica, irritam e podem machucar a região sem resolver nada. O segundo é mais sério: alguns cânceres de pele se parecem com verrugas, e tratar um câncer com produto de verruga dá tempo para o tumor crescer. Descoberto cedo, o câncer de pele tem tratamento; o problema é o tempo perdido.
A mesma ressalva vale para as tentativas de "arrancar", queimar ou raspar a lesão em casa. Além do risco de infecção e cicatriz, o material removido dessa forma se perde — e, se houvesse dúvida diagnóstica, ela deixa de poder ser esclarecida.
Quando remover uma verruga
Verrugas podem regredir sozinhas dentro de alguns meses ou persistir por anos, informa a SBD. Em crianças, a cura espontânea é frequente — mas a sociedade recomenda tratar mesmo assim, pelo risco de disseminação para outras pessoas e de autocontaminação. Em adultos, elas não costumam desaparecer sem tratamento.
A AAD lista situações em que a avaliação com dermatologista não deve esperar: verruga no rosto ou na região genital; lesão que está mudando, dói, coça, arde ou sangra; muitas verrugas ao mesmo tempo; dúvida sobre o que é a lesão; tratamento caseiro que não funcionou; imunidade comprometida (por doença, transplante ou medicação); e diabetes.
Entre as opções descritas pela AAD estão ácido salicílico com oclusão, crioterapia, cantaridina, eletrocirurgia com curetagem e excisão, além de alternativas para lesões resistentes. Nem todas se aplicam a cada caso, e o número de sessões varia: na crioterapia, por exemplo, a academia registra que a área tratada costuma cicatrizar em 4 a 7 dias e que a maioria dos pacientes precisa de mais de uma aplicação, repetida a cada 2 a 4 semanas. Qual técnica cabe em qual lesão é uma decisão clínica, definida na avaliação — e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Quando remover uma queratose seborreica
Como são lesões benignas, na maior parte das vezes não precisam de tratamento — tanto a SBD quanto a AAD são diretas nisso. A remoção passa a fazer sentido quando a lesão se parece com um câncer de pele, quando engancha em roupa ou joia, quando irrita com facilidade, quando coça e incomoda, ou quando o próprio paciente se sente desconfortável com ela. Esse último critério é legítimo e consta da lista da AAD: incômodo estético é motivo aceitável para remover uma lesão benigna, desde que o diagnóstico esteja claro.
A SBD cita crioterapia, eletroterapia e cauterização química com ácidos, como o tricloroacético, entre as terapias possíveis, e registra que não existem medidas preventivas para a queratose seborreica — ao contrário da ceratose actínica, que é uma lesão pré-maligna causada pelo sol e se previne com fotoproteção. A AAD acrescenta duas expectativas honestas sobre o depois: a pele tratada pode ficar mais clara que a vizinha, o que geralmente desaparece com o tempo, mas às vezes é permanente; e, embora a lesão removida raramente volte no mesmo ponto, novas queratoses podem surgir em outros lugares.
Se o seu caso é de lesões escuras e ásperas no rosto e no pescoço, vale conhecer a avaliação e remoção de verrugas pretas e lesões escuras benignas em Vitória (ES), que reúne as condutas para esse grupo de lesões.
Sinais de alerta: quando a lesão não pode esperar
Mudança de cor, tamanho ou formato de uma lesão que era estável.
Sangramento sem que tenha havido trauma, ou ferida que não cicatriza.
Coceira ou dor persistente em uma lesão específica.
Crescimento rápido ou aspecto de ferida aberta — a AAD indica investigação quando uma suposta verruga cresce depressa, parece uma úlcera ou não melhora com tratamento.
Lesão nova depois dos 40 anos com aparência diferente de todas as outras da sua pele.
Assimetria, bordas irregulares e mais de uma tonalidade na mesma lesão — o conjunto que, segundo a SBD, levanta a suspeita de melanoma.
Qualquer um desses itens justifica uma consulta de avaliação de lesões suspeitas de câncer de pele, sem esperar para ver no que dá.
Como o diagnóstico é fechado
Na maior parte dos casos, o dermatologista identifica uma queratose seborreica pelo exame clínico, afirma a AAD. O exame com dermatoscópio — um aparelho com luz e lente de aumento que revela estruturas invisíveis a olho nu — aumenta a acurácia diagnóstica e ajuda justamente a separar lesões melanocíticas das não melanocíticas, grupo que inclui a queratose seborreica, conforme revisão publicada no American Family Physician.
Quando a suspeita de malignidade permanece, a conduta descrita pela AAD é remover a lesão para análise ao microscópio, porque essa é a única forma de ter certeza de que uma lesão não é câncer de pele. Na prática, isso significa que a avaliação presencial define a conduta: acompanhar, remover por incômodo ou encaminhar para a investigação apropriada. Fotografia pelo celular e comparação com imagens da internet não substituem esse exame — e é comum que a lesão que mais preocupa o paciente seja a mais banal, enquanto a que ele nem notou mereça atenção.
Perguntas frequentes
Queratose seborreica pode virar câncer de pele?
A queratose seborreica é uma lesão benigna e não é considerada pré-maligna — diferente da ceratose actínica, que a SBD classifica como lesão pré-maligna por poder evoluir para carcinoma espinocelular. O cuidado não é com a transformação, e sim com a semelhança: algumas lesões malignas se parecem com queratoses seborreicas, e é por isso que o diagnóstico precisa ser confirmado por um médico.
Verruga pega mesmo? E de sapo, pega?
Pega de pessoa para pessoa e de uma parte do corpo para outra, sim — por contato direto ou por objetos contaminados, como toalhas e o piso de vestiários e bordas de piscina, segundo a AAD. De sapo, não: a academia americana desmente explicitamente essa crença popular.
Meu filho tem verrugas nas mãos. Precisa tratar?
Em crianças, muitas verrugas desaparecem sozinhas, mas a SBD recomenda o tratamento pelo risco de o vírus se espalhar para outras áreas do corpo e para outras pessoas. A conduta depende do número, do local e da idade — o atendimento clínico no consultório é feito a partir dos 10 anos.
Removi uma queratose seborreica e apareceu outra. O tratamento falhou?
Não necessariamente. A AAD descreve que a maioria das queratoses removidas não retorna no mesmo ponto, mas novas lesões podem surgir em outras áreas — é a tendência individual, de fundo genético, que continua ativa. Remover uma lesão não impede o aparecimento de outras.
Dá para diferenciar por foto, sem ir ao consultório?
Não com segurança. Cor, textura e relevo mudam conforme a iluminação, e o exame com dermatoscópio depende do contato com a pele. A foto ajuda a acompanhar a evolução de uma lesão já examinada, mas não substitui a primeira avaliação.
Queratose seborreica é a mesma coisa que as "verrugas pretas" do rosto?
São condições próximas, mas não idênticas. As pápulas escuras que surgem nas maçãs do rosto e ao redor dos olhos, principalmente em peles negras e pardas, costumam ser dermatose papulosa nigra, uma condição benigna de caráter hereditário que também não é causada por vírus. O diagnóstico diferencial entre elas é clínico.
Avaliação em Vitória (ES)
Se existe uma lesão que você não sabe nomear — e principalmente se já pensou em tratá-la por conta própria —, a avaliação presencial resolve a dúvida e define a conduta com segurança. O consultório fica no Centro da Praia Shopping, na Praia do Canto, em Vitória, e atende também pacientes da Grande Vitória, de segunda a sexta, das 08:00 às 18:00. Agende sua consulta pelo WhatsApp (27) 99707-0222.


