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Verruga ou queratose seborreica? Diferenças e quando remover

há 3 dias
9 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Ilustração comparando dois cortes de pele: a verruga, com pontos escuros de vasos, e a queratose seborreica, de superfície cerosa colada sobre a pele

Verruga e queratose seborreica podem ficar muito parecidas a olho nu — ásperas, elevadas, às vezes escuras —, mas têm origens opostas: a verruga é uma infecção pelo HPV e pode se espalhar; a queratose seborreica é uma lesão benigna que aparece com o passar dos anos e não contagia ninguém. Confundir as duas muda a conduta e, em alguns casos, atrasa o diagnóstico de algo mais sério.


Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 18 de setembro de 2026.


A diferença que organiza tudo: vírus de um lado, tempo de pele do outro

A verruga é uma proliferação benigna causada pelo papilomavírus humano (HPV), que infecta as camadas mais superficiais da pele ou da mucosa e desorganiza o crescimento das células, explica a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Existem mais de 200 tipos de HPV, segundo a American Academy of Dermatology (AAD), e só alguns deles causam verrugas. Para entrar na pele, o vírus precisa de uma porta: um corte, uma escoriação, uma unha roída, as microlesões de barbear ou depilar. É por isso que as verrugas se concentram justamente nas áreas que sofrem mais trauma.


A queratose seborreica — grafada ceratose seborreica na literatura médica brasileira — não tem nada a ver com vírus. A SBD a descreve como uma lesão benigna da camada mais superficial da pele, em geral arredondada ou irregular, de cor acastanhada, amarronzada ou negra, com aspecto verrucoso, mais comum na face e no tronco, e com forte componente genético. A AAD acrescenta duas informações que resolvem boa parte da confusão: essas lesões não são contagiosas e podem surgir em qualquer parte do corpo, exceto nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Como começam na meia-idade e têm superfície rugosa, a AAD as apelidou de "cracas do envelhecimento".


Como a verruga costuma se apresentar

O aspecto muda conforme o local. As verrugas vulgares — as mais comuns — são pápulas irregulares, endurecidas e ásperas, isoladas ou agrupadas, frequentes nas mãos, dedos, cotovelos, joelhos e ao redor das unhas. As filiformes parecem projeções finas e alongadas e aparecem sobretudo na face, no pescoço, nas pálpebras e nos lábios. As planas são pequenas, lisas, de no máximo 5 mm, e costumam surgir em grupo na face e no dorso das mãos. As plantares crescem para dentro pelo peso do corpo, doem ao andar e ganharam o apelido de "olho de peixe" pelo anel espesso com pontinhos escuros no centro. Esses pontinhos, esclarece a AAD, não são "raízes" da verruga: são vasos sanguíneos.


A idade também é uma pista. O pico de incidência das verrugas acontece entre 12 e 16 anos, segundo a SBD, e uma revisão publicada em 2022 no International Journal of Environmental Research and Public Health estima que a infecção atinja mais de 40% das crianças na segunda década de vida. Depois do contato com o vírus, podem passar semanas ou meses até a lesão aparecer — o que explica por que quase ninguém consegue apontar quando "pegou".


Há ainda as verrugas anogenitais, que têm outra lógica de transmissão, outro risco e outro manejo — inclusive pela relação bem estabelecida entre alguns subtipos de HPV e o câncer do colo do útero. Elas não são tratadas neste consultório: o caminho, nesses casos, é um serviço especializado, e a orientação sobre isso pode ser dada na avaliação.


Como a queratose seborreica costuma se apresentar

Segundo a AAD, essas lesões começam como pequenas saliências ásperas, engrossam devagar e desenvolvem uma superfície verrucosa. O detalhe que mais ajuda é a textura: elas têm um aspecto ceroso, como se estivessem coladas por cima da pele, e não brotando de dentro dela — a comparação usada pela academia americana é a de pingos de cera de vela morna. A cor vai do branco ao preto, com predomínio de tons castanhos, e o tamanho varia de poucos milímetros a mais de três centímetros. Costumam não doer, embora algumas cocem.


São extremamente comuns. Um levantamento com 100 adultos australianos publicado no British Journal of Dermatology encontrou queratoses seborreicas em 12% das pessoas entre 15 e 25 anos e em 100% das que tinham mais de 50 anos, com a mediana subindo de 6 lesões por pessoa no grupo mais jovem para 69 entre os maiores de 75 anos. Vale a ressalva de que se trata de uma população australiana de pele clara e alta exposição solar, o que não se transfere diretamente para a população brasileira — mas a direção do achado é consistente: quanto mais anos de pele, mais lesões.


Seis pistas que ajudam a diferenciar (e nenhuma que decide sozinha)

  • Idade de aparecimento: verrugas concentram-se em crianças e adolescentes; queratoses seborreicas começam na meia-idade e se multiplicam com o tempo.

  • Local: lesão na palma da mão ou na planta do pé não é queratose seborreica — a AAD é explícita ao excluir essas regiões.

  • Textura: a queratose seborreica tende ao aspecto "colado por cima"; a verruga costuma parecer parte da pele, com superfície mais córnea e bordas que se continuam no tecido.

  • Multiplicação: verrugas se espalham por autoinoculação — novas lesões surgem ao redor, nos dedos vizinhos ou onde a pele foi ferida. Queratoses seborreicas aparecem em áreas diferentes, sem essa relação com trauma.

  • Contágio em casa: se outra pessoa da casa desenvolveu lesões parecidas no mesmo período, o cenário favorece verruga. Queratose seborreica não passa de pessoa para pessoa.

  • Pontinhos escuros: aparecem em verrugas e são vasos sanguíneos, segundo a AAD — mas pontos escuros também surgem em outras lesões, e esse sinal isolado não fecha diagnóstico.


Nenhuma dessas pistas é suficiente sozinha. Elas servem para organizar a conversa na consulta, não para substituí-la.


Por que tratar por conta própria é o erro mais caro

Este é o ponto que justifica o post inteiro. A própria AAD orienta: se você não tem 100% de certeza de que a lesão é uma verruga, não use tratamentos caseiros. Há dois motivos. O primeiro é que produtos de farmácia para verruga, geralmente à base de ácido salicílico, agem removendo camadas da pele — aplicados sobre uma queratose seborreica, irritam e podem machucar a região sem resolver nada. O segundo é mais sério: alguns cânceres de pele se parecem com verrugas, e tratar um câncer com produto de verruga dá tempo para o tumor crescer. Descoberto cedo, o câncer de pele tem tratamento; o problema é o tempo perdido.


A mesma ressalva vale para as tentativas de "arrancar", queimar ou raspar a lesão em casa. Além do risco de infecção e cicatriz, o material removido dessa forma se perde — e, se houvesse dúvida diagnóstica, ela deixa de poder ser esclarecida.


Quando remover uma verruga

Verrugas podem regredir sozinhas dentro de alguns meses ou persistir por anos, informa a SBD. Em crianças, a cura espontânea é frequente — mas a sociedade recomenda tratar mesmo assim, pelo risco de disseminação para outras pessoas e de autocontaminação. Em adultos, elas não costumam desaparecer sem tratamento.


A AAD lista situações em que a avaliação com dermatologista não deve esperar: verruga no rosto ou na região genital; lesão que está mudando, dói, coça, arde ou sangra; muitas verrugas ao mesmo tempo; dúvida sobre o que é a lesão; tratamento caseiro que não funcionou; imunidade comprometida (por doença, transplante ou medicação); e diabetes.


Entre as opções descritas pela AAD estão ácido salicílico com oclusão, crioterapia, cantaridina, eletrocirurgia com curetagem e excisão, além de alternativas para lesões resistentes. Nem todas se aplicam a cada caso, e o número de sessões varia: na crioterapia, por exemplo, a academia registra que a área tratada costuma cicatrizar em 4 a 7 dias e que a maioria dos pacientes precisa de mais de uma aplicação, repetida a cada 2 a 4 semanas. Qual técnica cabe em qual lesão é uma decisão clínica, definida na avaliação — e os resultados variam de pessoa para pessoa.


Quando remover uma queratose seborreica

Como são lesões benignas, na maior parte das vezes não precisam de tratamento — tanto a SBD quanto a AAD são diretas nisso. A remoção passa a fazer sentido quando a lesão se parece com um câncer de pele, quando engancha em roupa ou joia, quando irrita com facilidade, quando coça e incomoda, ou quando o próprio paciente se sente desconfortável com ela. Esse último critério é legítimo e consta da lista da AAD: incômodo estético é motivo aceitável para remover uma lesão benigna, desde que o diagnóstico esteja claro.


A SBD cita crioterapia, eletroterapia e cauterização química com ácidos, como o tricloroacético, entre as terapias possíveis, e registra que não existem medidas preventivas para a queratose seborreica — ao contrário da ceratose actínica, que é uma lesão pré-maligna causada pelo sol e se previne com fotoproteção. A AAD acrescenta duas expectativas honestas sobre o depois: a pele tratada pode ficar mais clara que a vizinha, o que geralmente desaparece com o tempo, mas às vezes é permanente; e, embora a lesão removida raramente volte no mesmo ponto, novas queratoses podem surgir em outros lugares.


Se o seu caso é de lesões escuras e ásperas no rosto e no pescoço, vale conhecer a avaliação e remoção de verrugas pretas e lesões escuras benignas em Vitória (ES), que reúne as condutas para esse grupo de lesões.


Sinais de alerta: quando a lesão não pode esperar

  • Mudança de cor, tamanho ou formato de uma lesão que era estável.

  • Sangramento sem que tenha havido trauma, ou ferida que não cicatriza.

  • Coceira ou dor persistente em uma lesão específica.

  • Crescimento rápido ou aspecto de ferida aberta — a AAD indica investigação quando uma suposta verruga cresce depressa, parece uma úlcera ou não melhora com tratamento.

  • Lesão nova depois dos 40 anos com aparência diferente de todas as outras da sua pele.

  • Assimetria, bordas irregulares e mais de uma tonalidade na mesma lesão — o conjunto que, segundo a SBD, levanta a suspeita de melanoma.


Qualquer um desses itens justifica uma consulta de avaliação de lesões suspeitas de câncer de pele, sem esperar para ver no que dá.


Como o diagnóstico é fechado

Na maior parte dos casos, o dermatologista identifica uma queratose seborreica pelo exame clínico, afirma a AAD. O exame com dermatoscópio — um aparelho com luz e lente de aumento que revela estruturas invisíveis a olho nu — aumenta a acurácia diagnóstica e ajuda justamente a separar lesões melanocíticas das não melanocíticas, grupo que inclui a queratose seborreica, conforme revisão publicada no American Family Physician.


Quando a suspeita de malignidade permanece, a conduta descrita pela AAD é remover a lesão para análise ao microscópio, porque essa é a única forma de ter certeza de que uma lesão não é câncer de pele. Na prática, isso significa que a avaliação presencial define a conduta: acompanhar, remover por incômodo ou encaminhar para a investigação apropriada. Fotografia pelo celular e comparação com imagens da internet não substituem esse exame — e é comum que a lesão que mais preocupa o paciente seja a mais banal, enquanto a que ele nem notou mereça atenção.


Perguntas frequentes

Queratose seborreica pode virar câncer de pele?

A queratose seborreica é uma lesão benigna e não é considerada pré-maligna — diferente da ceratose actínica, que a SBD classifica como lesão pré-maligna por poder evoluir para carcinoma espinocelular. O cuidado não é com a transformação, e sim com a semelhança: algumas lesões malignas se parecem com queratoses seborreicas, e é por isso que o diagnóstico precisa ser confirmado por um médico.


Verruga pega mesmo? E de sapo, pega?

Pega de pessoa para pessoa e de uma parte do corpo para outra, sim — por contato direto ou por objetos contaminados, como toalhas e o piso de vestiários e bordas de piscina, segundo a AAD. De sapo, não: a academia americana desmente explicitamente essa crença popular.


Meu filho tem verrugas nas mãos. Precisa tratar?

Em crianças, muitas verrugas desaparecem sozinhas, mas a SBD recomenda o tratamento pelo risco de o vírus se espalhar para outras áreas do corpo e para outras pessoas. A conduta depende do número, do local e da idade — o atendimento clínico no consultório é feito a partir dos 10 anos.


Removi uma queratose seborreica e apareceu outra. O tratamento falhou?

Não necessariamente. A AAD descreve que a maioria das queratoses removidas não retorna no mesmo ponto, mas novas lesões podem surgir em outras áreas — é a tendência individual, de fundo genético, que continua ativa. Remover uma lesão não impede o aparecimento de outras.


Dá para diferenciar por foto, sem ir ao consultório?

Não com segurança. Cor, textura e relevo mudam conforme a iluminação, e o exame com dermatoscópio depende do contato com a pele. A foto ajuda a acompanhar a evolução de uma lesão já examinada, mas não substitui a primeira avaliação.


Queratose seborreica é a mesma coisa que as "verrugas pretas" do rosto?

São condições próximas, mas não idênticas. As pápulas escuras que surgem nas maçãs do rosto e ao redor dos olhos, principalmente em peles negras e pardas, costumam ser dermatose papulosa nigra, uma condição benigna de caráter hereditário que também não é causada por vírus. O diagnóstico diferencial entre elas é clínico.


Avaliação em Vitória (ES)

Se existe uma lesão que você não sabe nomear — e principalmente se já pensou em tratá-la por conta própria —, a avaliação presencial resolve a dúvida e define a conduta com segurança. O consultório fica no Centro da Praia Shopping, na Praia do Canto, em Vitória, e atende também pacientes da Grande Vitória, de segunda a sexta, das 08:00 às 18:00. Agende sua consulta pelo WhatsApp (27) 99707-0222.


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