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DPN: Dermatose Papulosa Nigra

28 de fev. de 2018
8 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Rosto de uma mulher de pele negra com várias pápulas escuras pequenas na maçã do rosto e na têmpora, típicas da dermatose papulosa nigra

A dermatose papulosa nigra (DPN) é formada por lesões benignas com aparência de pequenas verrugas marrons ou pretas, localizadas principalmente na face, no pescoço e no colo. Apesar do apelido popular de "verruga preta", ela não é causada por vírus, não é contagiosa e não é câncer de pele — mas costuma incomodar do ponto de vista estético.


Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 19 de setembro de 2026.


O que é a dermatose papulosa nigra?

A dermatose papulosa nigra é um crescimento benigno da epiderme, a camada mais superficial da pele. As lesões começam como manchinhas escuras parecidas com sardas e, com o tempo, ganham relevo e viram pápulas — pequenas elevações de superfície lisa, sem casca, sem descamação e sem ferida.


Segundo o capítulo sobre a condição do StatPearls, biblioteca clínica da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (NIH), essas pápulas costumam medir de 1 a 5 milímetros de diâmetro e de 1 a 3 milímetros de altura, com distribuição simétrica nas maçãs do rosto, nas têmporas e na testa. Podem aparecer também no pescoço, no colo e nas costas, com menos frequência. Cerca de um quarto das pessoas com lesões no rosto tem lesões também no corpo.


A DPN foi descrita em 1925 pelo médico italiano Aldo Castellani e é considerada, pela maior parte da literatura, uma variante da queratose seborreica — embora parte dos dermatologistas a trate como entidade própria, por afetar um perfil diferente de pacientes e ter achados de microscopia particulares.


Por que a DPN aparece?

A causa exata não é conhecida, mas o componente genético é o mais forte. Lesões de DPN carregam uma mutação no gene FGFR3, a mesma encontrada na queratose seborreica — o que ajuda a explicar por que a condição costuma se repetir na família. Nos levantamentos reunidos pelo StatPearls, entre 77% e 93% dos pacientes relataram história familiar de lesões semelhantes.


A exposição solar acumulada é o segundo fator apontado: as lesões se concentram justamente nas áreas que mais recebem sol — rosto, pescoço e parte alta do tronco — e mutações no FGFR3 são mais frequentes em regiões fotoexpostas e com o avanço da idade. Não existe, hoje, medida comprovada para impedir o surgimento das lesões; a fotoproteção diária segue recomendada pelo conjunto de benefícios que traz à pele.


O que não causa DPN: vírus, falta de higiene, alimentação ou contato com outra pessoa. Ela não passa de uma pessoa para outra.


Quem costuma ter DPN

  • Fototipo: é muito mais comum em peles negras e pardas — fototipos III a VI da escala de Fitzpatrick. A frequência relatada em populações de pele mais pigmentada varia bastante entre os estudos, de 10% a 75%, e chega a cerca de um terço dos adultos afro-americanos nos Estados Unidos.

  • Sexo: as mulheres são cerca de duas vezes mais afetadas que os homens.

  • Idade: as primeiras lesões costumam surgir na adolescência — bem antes do que acontece na queratose seborreica clássica. O número e o tamanho aumentam com o tempo, com pico por volta da sexta década de vida.


Vale registrar que a DPN não é sinal de doença interna nem faz parte de nenhuma síndrome. Ela não regride sozinha: uma lesão que apareceu tende a permanecer.


DPN, verruga e queratose seborreica: como diferenciar

A confusão é frequente porque as três lesões podem ter relevo e cor escura. Do ponto de vista clínico, porém, são coisas diferentes — e é por isso que o diagnóstico não se faz por foto nem por semelhança de nome.


DPN não é verruga

A verruga propriamente dita é uma proliferação causada pelo HPV, transmissível por contato e capaz de se espalhar pelo próprio corpo. A DPN não tem vírus envolvido, não é transmissível e não se dissemina: ela obedece a uma tendência genética e vai surgindo aos poucos nas áreas típicas do rosto e do pescoço. Chamar as duas de "verruga" é um hábito da linguagem do dia a dia, não uma equivalência médica — e a distinção muda tanto a conduta quanto o que se espera do tratamento. Se o seu caso é de pequenas lesões escuras no rosto, a página sobre verrugas pretas no rosto e dermatose papulosa nigra em Vitória ES reúne o que a avaliação em consultório considera.


DPN e queratose seborreica

A queratose seborreica, descrita pela Sociedade Brasileira de Dermatologia como lesão benigna arredondada ou irregular, de cor acastanhada a negra e aspecto verrucoso, é a "prima" mais conhecida da DPN. As duas compartilham a mesma mutação genética, mas se apresentam de formas distintas: a queratose seborreica surge mais tarde na vida, aparece em todos os fototipos (com predomínio em peles claras), espalha-se por áreas cobertas e descobertas e pode crescer bastante, com superfície cerosa e "colada" à pele. A DPN é pequena, uniforme, múltipla e restrita às áreas fotoexpostas do rosto e do pescoço. Para entender as diferenças entre verruga e queratose seborreica em detalhe, veja o texto sobre verruga ou queratose seborreica: como saber a diferença.


E as outras lesões parecidas

O diagnóstico diferencial da DPN inclui ainda sinais (nevos melanocíticos), acrocórdons (os "pólipos fibrosos" de pescoço e axilas), siringomas e outros tumores benignos de anexos da pele. A dermatoscopia — exame não invasivo feito no consultório com um aparelho de aumento e luz — costuma resolver a dúvida: nas lesões de DPN predominam sulcos e cristas em padrão cerebriforme e aberturas semelhantes a comedões. Quando resta qualquer suspeita de lesão maligna, a conduta é examinar o material da lesão.


A DPN pode virar câncer de pele?

Não. A dermatose papulosa nigra é uma condição benigna, sem risco de transformação maligna descrito na literatura. O cuidado necessário é outro: como as lesões são escuras e numerosas, elas podem "esconder" no meio delas uma lesão que não é DPN.


Por isso, merece avaliação qualquer lesão que:

  • cresça rapidamente ou se destaque em tamanho das demais;

  • tenha mais de uma tonalidade, bordas irregulares ou assimetria;

  • sangre, ulcere, coce ou doa de forma persistente;

  • mude de cor ou de formato em poucas semanas;

  • apareça de forma isolada, diferente de todas as outras.


Esses sinais não significam que a lesão seja maligna — significam que ela precisa ser examinada. A página sobre câncer de pele detalha o que é avaliado nessa consulta.


Quando tratar — e quando não é preciso

Do ponto de vista da saúde, a DPN não exige tratamento. A remoção é feita por motivo estético, quando as lesões incomodam a pessoa, ou por motivo diagnóstico, quando é preciso esclarecer uma lesão duvidosa. Não tratar é uma escolha legítima — a condição em si não traz prejuízo à saúde.


O incômodo, quando existe, é real e mensurável. Em um levantamento de qualidade de vida com 50 adultos afro-americanos com DPN publicado no Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, 84% dos participantes tinham um parente de primeiro grau com a mesma condição, a maioria relatou poucos ou nenhum sintoma e o impacto médio na qualidade de vida foi moderado. Ou seja: a decisão de tratar é pessoal e depende de quanto aquilo pesa para cada um.


Como é feita a remoção das lesões

A literatura descreve várias técnicas para remover lesões de DPN, entre elas as três que costumam ser citadas:

  • Cauterização química: aplicação de um ácido sobre a lesão, que seca e se desprende ao longo dos dias seguintes.

  • Criocirurgia com nitrogênio líquido: congelamento da lesão. É a técnica que exige mais cautela em peles pigmentadas, porque o frio também danifica melanócitos e pode deixar manchas claras (hipopigmentação) no lugar tratado.

  • Eletrocauterização (eletrodissecação): destruição da lesão com corrente elétrica, em potência baixa e após anestésico tópico. É uma das opções mais estudadas para a DPN.


A literatura descreve ainda a excisão com tesoura (snip excision), a curetagem leve e diferentes lasers, com resultados comparáveis à eletrodissecação. Uma revisão sistemática publicada em 2024 no International Journal of Dermatology, que reuniu 17 publicações sobre o tema, conclui que a escolha deve considerar o fototipo da pessoa, a área a ser tratada, o custo e o perfil de efeitos adversos de cada técnica — não existe uma opção única melhor para todos os casos.


Qual técnica cabe em qual lesão é uma decisão clínica, definida na avaliação presencial, e leva em conta o fototipo, o número e o tamanho das lesões e a resposta da pele de cada paciente.


O ponto crítico: risco de manchas em pele pigmentada

Como a DPN acomete sobretudo peles com mais melanina, o cuidado central é o risco de alteração de pigmento no local tratado — manchas mais escuras (hiperpigmentação pós-inflamatória) ou mais claras. A revisão sistemática de 2024 aponta a hiperpigmentação pós-inflamatória como o efeito adverso mais frequente e a principal causa de insatisfação.


Por isso, a literatura recomenda três condutas: evitar tratamentos agressivos, começar por um número pequeno de lesões para observar como aquela pele responde antes de tratar o restante, e informar a pessoa, antes do procedimento, de que a alteração de pigmento é uma possibilidade. Infecção e cicatriz também estão entre as complicações possíveis de qualquer remoção.


As lesões voltam?

A lesão removida raramente reaparece no mesmo ponto, mas novas lesões podem surgir com o tempo, porque a tendência genética permanece. Em uma série de 45 pacientes tratados com laser de CO₂, publicada na Lasers in Medical Science, 28% dos que responderam ao acompanhamento relataram o reaparecimento de algumas lesões após uma média de três sessões. Mais de uma sessão costuma ser necessária, e os resultados variam de pessoa para pessoa.


Cuidados depois da remoção

As orientações pós-procedimento são definidas caso a caso, mas costumam girar em torno de quatro pontos:

  • Não retirar a crostinha que se forma sobre o ponto tratado — ela é a proteção natural da cicatrização e cai sozinha.

  • Manter a área hidratada conforme a orientação recebida, até a pele fechar por completo.

  • Fotoproteção rigorosa na área tratada: o sol sobre uma pele em cicatrização é o principal gatilho de mancha escura residual.

  • Retornar para reavaliação antes de tratar novas lesões, para que a resposta da pele oriente a próxima etapa.


Qualquer sinal de dor crescente, vermelhidão que se espalha, calor local ou secreção deve ser comunicado, por serem sinais de infecção.


Perguntas frequentes sobre a dermatose papulosa nigra

Dermatose papulosa nigra é verruga?

Não. Apesar do apelido "verruga preta", a DPN não é causada pelo HPV nem por qualquer vírus, não é contagiosa e não se espalha por contato. É um crescimento benigno da epiderme, de base genética, considerado pela maioria da literatura uma variante da queratose seborreica.


DPN é perigosa? Pode virar câncer?

A DPN é benigna e não tem risco de transformação maligna descrito. O cuidado é não assumir que toda lesão escura do rosto seja DPN: qualquer pápula que cresça rápido, sangre, mude de cor ou se destaque das demais precisa ser avaliada por um dermatologista.


Tem como prevenir o aparecimento das lesões?

Não há medida comprovada para impedir o surgimento da DPN, já que o fator principal é genético. A fotoproteção diária é recomendada porque a exposição solar acumulada é um dos fatores associados — e porque protege a pele de outras condições.


A remoção deixa marca?

Existe risco de alteração do pigmento no local tratado, especialmente em peles mais pigmentadas: manchas escuras (hiperpigmentação pós-inflamatória) ou, com menor frequência, manchas claras. Esse risco é o motivo de a literatura recomendar técnicas suaves, tratar poucas lesões de cada vez e conversar sobre a possibilidade antes do procedimento.


Quantas sessões são necessárias?

Varia conforme o número de lesões, o fototipo e a técnica escolhida — costuma ser mais de uma. O plano é definido na avaliação, e os resultados variam de pessoa para pessoa.


Posso remover as lesões em casa?

Não. Produtos caseiros e ácidos sem orientação aumentam o risco de mancha, queimadura e cicatriz em pele pigmentada — e, mais importante, tratam uma lesão que não foi diagnosticada. Antes de remover, é preciso ter certeza do que é aquela lesão.


Avaliação com dermatologista em Vitória

A Dra. Pauline Lyrio atende no Centro da Praia Shopping, na Praia do Canto, em Vitória ES, de segunda a sexta, das 08:00 às 18:00. A avaliação presencial confirma o diagnóstico da dermatose papulosa nigra, descarta outras lesões e define se e como remover. Os resultados variam de pessoa para pessoa e a indicação depende sempre da avaliação individual. Para agendar, entre em contato pelo WhatsApp (27) 99707-0222.


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