Conheça a pele
Atualizado: há 1 dia

A pele é formada por três camadas sobrepostas e firmemente unidas: a epiderme, a mais externa; a derme, intermediária; e a hipoderme, a mais profunda, também chamada de tecido subcutâneo. Cada uma tem estrutura e funções próprias — e é nelas que começam as doenças de pele mais comuns, do melasma à acne e ao câncer de pele.
Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 18 de setembro de 2026.
Quantas camadas tem a pele?
A pele tem três camadas: epiderme, derme e hipoderme. A confusão com "cinco" ou "sete camadas" vem da epiderme, que por sua vez é dividida em estratos: segundo o capítulo de anatomia da pele do StatPearls (biblioteca do NIH), a epiderme tem cinco estratos na pele espessa das palmas e plantas e quatro no restante do corpo. Quem soma os cinco estratos da epiderme à derme e à hipoderme chega às "sete camadas" — uma forma de contar, não uma anatomia diferente.
Juntas, essas camadas formam o maior órgão do corpo humano. Uma revisão publicada no European Journal of Dermatology estima que a pele corresponda a cerca de 15% do peso corporal de um adulto. Ela reveste todo o corpo, separa o meio interno do ambiente e, ao mesmo tempo, sente, regula a temperatura e participa da imunidade.
Epiderme: a camada mais externa da pele
A epiderme é a camada que vemos e tocamos. É um tecido fino, sem vasos sanguíneos, formado principalmente por queratinócitos — células que produzem queratina, a proteína que dá resistência à pele, aos pelos e às unhas. Sua principal função, como descreve a Sociedade Brasileira de Dermatologia, é formar uma barreira que dificulta a perda de água pelo organismo e a entrada de substâncias e micro-organismos.
Os estratos da epiderme, de baixo para cima
Estrato basal: a camada mais profunda, apoiada sobre a membrana basal que a une à derme. É aqui que as células se multiplicam e que ficam os melanócitos.
Estrato espinhoso: várias fileiras de queratinócitos que começam a amadurecer e se ligam fortemente entre si.
Estrato granuloso: as células se achatam e liberam lipídios (gorduras) que "cimentam" a barreira da pele.
Estrato lúcido: presente só na pele espessa das palmas das mãos e das plantas dos pés.
Estrato córneo: a superfície da pele, feita de células já sem núcleo, sobrepostas como telhas. O StatPearls descreve nele 20 a 30 camadas de células — é o estrato córneo que descama todos os dias e que os hidratantes ajudam a manter íntegro.
Essa renovação é contínua: as células nascem no estrato basal, sobem e se soltam na superfície. A ideia popular de que "a pele se renova a cada 28 dias" é uma simplificação — uma revisão publicada nos Annals of the New York Academy of Sciences estima que a epiderme humana se renove por completo a cada 40 a 56 dias. O ritmo varia com a região do corpo, a idade e a saúde da pele.
Melanócitos, cor da pele e manchas
No estrato basal ficam os melanócitos, células que produzem a melanina e a transferem aos queratinócitos vizinhos. A melanina dá cor à pele e absorve parte da radiação ultravioleta, protegendo o DNA das células. A literatura de histologia é clara em um ponto que surpreende muita gente: as diferenças de tom de pele entre as pessoas vêm da quantidade, do tamanho e da densidade dos grânulos de melanina transferidos aos queratinócitos, e não do número de melanócitos.
Quando a produção de melanina fica irregular, surgem as manchas. O melasma, por exemplo, é um distúrbio da pigmentação em que a melanina se acumula em áreas do rosto, com forte influência do sol e dos hormônios.
Outras células e os anexos da pele
A epiderme também abriga as células de Langerhans, que fazem parte do sistema imunológico e reconhecem agentes estranhos na superfície, e as células de Merkel, ligadas ao tato fino. É da epiderme que se originam os chamados anexos da pele: unhas, pelos, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas — embora a maior parte dessas estruturas fique alojada na derme.
Por ser a camada exposta ao ambiente, é também na epiderme que se formam os tipos mais comuns de câncer de pele: os carcinomas nascem de queratinócitos alterados, quase sempre por dano solar acumulado, e o melanoma nasce dos melanócitos. Cuidar da barreira (com hidratação adequada ao tipo de pele) e proteger-se do sol são, na prática, cuidados com a epiderme.
Derme: a camada intermediária, onde ficam colágeno e elastina
A derme fica logo abaixo da epiderme, unida a ela pela membrana basal. É um tecido conjuntivo bem mais espesso, formado por fibras de colágeno (que dão firmeza e resistência), fibras elásticas (que permitem que a pele estique e volte ao lugar) e uma substância gelatinosa entre as fibras, rica em ácido hialurônico, que retém água. Quem fabrica tudo isso são os fibroblastos, as principais células da derme.
Camadas da derme: papilar e reticular
Derme papilar: a porção superficial, fina e muito vascularizada, que forma as papilas dérmicas — pequenas "ondas" que se encaixam na epiderme e a nutrem, já que a epiderme não tem vasos próprios.
Derme reticular: a porção profunda, que constitui a maior parte da derme, com feixes grossos de colágeno e fibras elásticas espessas. É ela que responde pela sustentação da pele.
Vasos, nervos e sensações
A derme concentra a rede de vasos sanguíneos que alimenta a pele e ajuda a controlar a temperatura do corpo: os vasos se dilatam para dissipar calor e se contraem para conservá-lo. Também estão nela as terminações nervosas e os receptores que traduzem estímulos em sensações — corpúsculos de Meissner para o toque leve, corpúsculos de Pacini para pressão e vibração, terminações de Ruffini para o estiramento e terminações livres para dor e temperatura. É por isso que sentimos frio, calor, cócegas e pressão pela pele.
Folículos e glândulas: o que mora na derme
Na derme ficam alojados os folículos pilosos, de onde nascem os pelos e os fios de cabelo, cada um com uma glândula sebácea e um pequeno músculo eretor (o responsável pelo "arrepio"). As glândulas sebáceas produzem o sebo que lubrifica a pele; quando a unidade formada por folículo e glândula sebácea inflama, o resultado é a acne. As glândulas sudoríparas écrinas, distribuídas por todo o corpo, produzem o suor que resfria o organismo; as apócrinas, concentradas nas axilas e na região genital, produzem uma secreção mais espessa, cujo odor surge pela ação de bactérias.
Como os folículos vivem na derme, é nela que se decidem os ciclos de crescimento e queda dos fios — e é por isso que a avaliação da queda de cabelo olha para o couro cabeludo como um todo, não só para o fio.
A derme e o envelhecimento da pele
A espessura da pele muda ao longo da vida. De acordo com o mesmo capítulo do StatPearls, a pele da criança é fina e vai engrossando até por volta da quarta década de vida, voltando a afinar a partir da quinta, sobretudo por mudanças na derme. O envelhecimento e a exposição crônica ao sol enfraquecem as fibras de colágeno e elastina — daí as rugas, a flacidez e a perda de viço. Estrias, cicatrizes e queloides também são histórias que acontecem na derme.
Hipoderme: a camada mais profunda (tecido subcutâneo)
A hipoderme, ou tecido subcutâneo, fica abaixo da derme e é formada principalmente por células de gordura (adipócitos) organizadas em lóbulos, entremeadas por tecido conjuntivo frouxo, vasos sanguíneos e nervos. Sua espessura varia muito conforme a região do corpo, o sexo e a constituição de cada pessoa — é bem mais fina em áreas como as pálpebras e mais espessa no abdome, nos quadris e nas coxas.
Ela cumpre três funções principais: amortecer impactos, isolar termicamente o corpo e armazenar energia. Também é a hipoderme que ancora a pele aos músculos e às estruturas mais profundas, permitindo que ela deslize sobre eles. Alguns livros de anatomia a descrevem como uma camada "abaixo" da pele; na prática clínica, ela é estudada junto com a pele porque funciona em conjunto com a derme.
É na hipoderme que se desenrolam a gordura localizada e a celulite — o aspecto de "casca de laranja" que aparece quando os lóbulos de gordura empurram a derme entre os septos fibrosos que a prendem às camadas profundas.
O que cada camada faz pelo corpo
Ver as três camadas em conjunto ajuda a entender por que a pele é considerada um órgão, e não apenas um revestimento:
Barreira e proteção: a epiderme bloqueia micro-organismos, produtos químicos, radiação UV e perda de água. Ainda assim, a pele é permeável — segundo a SBD, a pele da criança e do idoso é mais fina e absorve mais o que se aplica sobre ela, o que pede cuidado redobrado com produtos.
Sensibilidade: os receptores da derme informam ao cérebro toque, pressão, vibração, dor e temperatura.
Controle da temperatura: vasos da derme e glândulas sudoríparas ajustam a perda de calor; a gordura da hipoderme isola.
Imunidade: células de Langerhans na epiderme e células de defesa na derme reconhecem e combatem invasores.
Produção de vitamina D: a exposição da pele à radiação UVB inicia a síntese da vitamina D, completada no fígado e nos rins.
Reserva e amortecimento: a hipoderme guarda energia e protege músculos e ossos contra impactos.
Por que conhecer as camadas ajuda a entender as doenças da pele
Cada doença dermatológica "mora" em uma profundidade — e isso muda a forma de diagnosticar e tratar. A tabela resume onde acontecem alguns problemas frequentes:
Camada | O que pode acontecer | Exemplos |
Epiderme | Falhas na barreira, alterações da pigmentação e das células que se renovam | Pele seca e dermatites, melasma e outras manchas, verrugas, carcinomas e melanoma |
Derme | Perda ou desorganização de colágeno e elastina; inflamação de folículos e glândulas | Rugas e flacidez, estrias, cicatrizes e queloides, acne, alopecias, hiperidrose |
Hipoderme | Acúmulo ou distribuição irregular da gordura; infecções profundas | Gordura localizada, celulite, lipodistrofias |
Um tratamento só faz sentido quando atinge a camada certa: um creme atua na epiderme, mas não reorganiza o colágeno da derme; um procedimento pensado para a derme não trata gordura da hipoderme. É por isso que a avaliação do dermatologista começa identificando onde está o problema — e não pelo produto ou aparelho.
Quando procurar um dermatologista?
Conhecer as camadas da pele é útil para entender o próprio corpo, mas não substitui o exame clínico. Vale procurar avaliação quando surgirem:
mancha nova, ou pinta que muda de cor, tamanho, forma ou passa a sangrar;
ferida que não cicatriza em algumas semanas;
manchas escuras no rosto que pioram com o sol;
queda de cabelo persistente ou falhas no couro cabeludo;
coceira, descamação ou vermelhidão que não melhoram com hidratação;
acne que deixa marcas ou não responde aos cuidados básicos.
Na dermatologia clínica em Vitória ES, a Dra. Pauline Lyrio faz o diagnóstico das doenças da pele, dos cabelos e das unhas e define o tratamento conforme a camada envolvida e as características de cada paciente. Os resultados variam de pessoa para pessoa, e a indicação sempre depende da avaliação individual.
Perguntas frequentes sobre as camadas da pele
Quais são as três camadas da pele?
Epiderme (a mais externa, que forma a barreira e contém os melanócitos), derme (intermediária, com colágeno, elastina, vasos, nervos, folículos e glândulas) e hipoderme (a mais profunda, formada por gordura, que amortece, isola e armazena energia).
A pele tem três ou sete camadas?
Três. As "sete camadas" aparecem quando se somam os cinco estratos da epiderme (basal, espinhoso, granuloso, lúcido e córneo) à derme e à hipoderme. O estrato lúcido, porém, só existe na pele espessa das palmas e plantas — no restante do corpo a epiderme tem quatro estratos.
Qual é a primeira camada da pele?
Contando de fora para dentro, a primeira camada é a epiderme, e a sua superfície é o estrato córneo — as células mortas e achatadas que descamam continuamente. Contando de dentro para fora, a primeira é a hipoderme.
A pele se renova a cada 28 dias?
Não exatamente. Os "28 dias" são uma simplificação popular; as estimativas científicas para a renovação completa da epiderme humana ficam entre 40 e 56 dias, com variação conforme a região do corpo e a idade. O que descama diariamente é o estrato córneo, a parte final desse ciclo.
A hipoderme faz parte da pele?
Na dermatologia, sim: a SBD e a maioria dos textos clínicos descrevem a hipoderme como a terceira camada da pele. Alguns livros de anatomia a tratam como tecido subcutâneo separado. Na prática, o que importa é que ela funciona de forma integrada com a derme e é onde acontecem problemas como a celulite e a gordura localizada.
Quais são as camadas da face?
A pele do rosto tem as mesmas três camadas — epiderme, derme e hipoderme —, mas abaixo delas ficam ainda os compartimentos de gordura profunda, os músculos da expressão facial, os ligamentos de sustentação e o osso. É por isso que o envelhecimento do rosto envolve mais do que a pele, e a avaliação dermatológica considera cada um desses planos.
Avaliação com dermatologista em Vitória
A Dra. Pauline Lyrio atende no Centro da Praia Shopping, na Praia do Canto, em Vitória ES, de segunda a sexta, das 08:00 às 18:00. Para agendar uma avaliação, entre em contato pelo WhatsApp (27) 99707-0222.
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