Cicatrizes de acne: tipos (ice pick, rolling, boxcar) e como cada uma pode ser tratada

As cicatrizes de acne afundadas se dividem em três tipos principais: ice pick (estreita e profunda), rolling (larga, com aspecto ondulado) e boxcar (depressão com bordas bem marcadas). Cada uma atinge a pele de um jeito, por isso costuma pedir uma abordagem diferente, definida na avaliação dermatológica.
Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Médica dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 31 de outubro de 2026.
Por que a acne deixa cicatriz?
Quando uma espinha inflama, a pele precisa se reparar, e esse reparo depende do colágeno. Segundo a Academia Americana de Dermatologia (AAD), a pele às vezes se recupera em 7 a 10 dias sem deixar sinal. Em outras vezes, o colágeno produzido não basta para preencher o espaço da lesão, e fica uma depressão: é a cicatriz atrófica, o tipo mais frequente depois da acne.
A cicatriz é uma sequela comum. Uma meta-análise publicada na Skin Research and Technology, com 37 estudos e 24.649 pessoas com acne, estimou que 47% delas tinham cicatrizes, com risco maior nos quadros mais graves. Segundo a AAD, a chance aumenta quando a acne é profunda e dolorosa, quando um parente próximo tem cicatrizes e quando as lesões são espremidas ou cutucadas.
Duas diferenças ajudam antes de falar dos tipos. A mancha plana que a espinha deixa, a hiperpigmentação pós-inflamatória, não é cicatriz e costuma clarear com o tempo. E a cicatriz alta, que fica acima da pele, é outro assunto, explicado em queloide e cicatriz hipertrófica.
Quais são os tipos de cicatriz de acne?
A classificação mais usada foi proposta em 2001 no Journal of the American Academy of Dermatology e separa as cicatrizes atróficas em três tipos. Uma revisão na Scars, Burns & Healing resume as medidas usadas para descrevê-los:
Ice pick: com menos de 2 mm de diâmetro, parece um furinho, mas é estreita e profunda, em forma de V, e pode chegar à camada mais funda da derme ou além dela.
Boxcar: mais larga, com cerca de 1 a 4 mm, tem bordas retas e bem marcadas e fundo plano, em forma de U. Pode ser rasa ou profunda.
Rolling: em geral com 4 mm ou mais, tem contorno irregular e dá à pele um aspecto ondulado. Acontece porque traves de fibrose prendem a pele às camadas de baixo e a puxam para dentro.
A mesma revisão cita estimativas de que, entre as cicatrizes atróficas, a ice pick responde por 60% a 70%, a boxcar por 20% a 30% e a rolling por 15% a 25%. São valores aproximados, tanto que a soma pode passar de 100%, mas confirmam o que a AAD descreve: a ice pick é a mais comum. Na prática, o mais frequente é ter mais de um tipo no mesmo rosto. Mesmo entre dermatologistas, a classificação só pelo formato tem limites, e por isso o exame presencial, com boa iluminação, importa tanto.
Como cada tipo pode ser tratado
Não existe uma técnica que sirva para todas as cicatrizes. A escolha depende principalmente do tipo, da profundidade, da quantidade, do tom de pele e do tempo de recuperação possível. O que segue é um panorama educativo do que a literatura descreve, e não um protocolo.
Ice pick: alcançar a profundidade
Por ser funda e estreita, a ice pick costuma resistir aos tratamentos que agem só na superfície. Duas técnicas descritas para ela são a TCA CROSS, em que o ácido tricloroacético em alta concentração é aplicado de forma pontual dentro da cicatriz, e a excisão com punch, uma pequena cirurgia que retira a cicatriz e fecha o local.
Rolling: soltar o que está puxando
Como o problema está nas traves que prendem a pele, o tratamento precisa agir abaixo da derme. A subcisão, que solta essas traves com uma agulha ou cânula, é a técnica mais citada para esse tipo. Preenchedores podem devolver volume à área e, segundo a AAD, a maioria tem efeito temporário, de 3 meses a 2 anos.
Boxcar: depende da profundidade
A boxcar rasa tende a responder melhor às técnicas que renovam a pele. A profunda é mais resistente. Entre as opções descritas estão os peelings químicos, os lasers fracionados, como o laser de érbio e o de CO₂, o microagulhamento e a radiofrequência microagulhada. O panorama das tecnologias está no guia de laser dermatológico.
Por que costuma ser preciso combinar técnicas?
Como é comum ter tipos diferentes no mesmo rosto, o plano muitas vezes soma mais de uma técnica, em etapas. A AAD dá um exemplo: soltar a cicatriz afundada com uma pequena cirurgia e depois preencher o local. Um consenso internacional publicado na Lasers in Surgery and Medicine, com 24 dermatologistas e cirurgiões plásticos de 12 países, também incluiu as combinações de tratamento entre os temas analisados e tratou à parte o cuidado com a pele negra e parda.
O microagulhamento é uma das opções mais estudadas, e o que se espera dele está explicado na página sobre a técnica. No consultório, o microagulhamento com caneta (MMP) e a radiofrequência microagulhada (Evolla) são opções possíveis, mas nenhuma é o ponto de partida automático: a escolha depende do tipo de cicatriz e da avaliação.
O que esperar do tratamento
O objetivo realista é deixar as cicatrizes menos aparentes. Segundo a AAD, elas podem atenuar, mas raramente somem por completo sozinhas. Os resultados variam de pessoa para pessoa e aparecem aos poucos, porque dependem da produção de colágeno novo.
Primeiro, controlar a acne: segundo a AAD, o tratamento das cicatrizes costuma começar depois que a acne está controlada, para reduzir a inflamação e evitar cicatrizes novas.
Contar o que já foi usado: a AAD orienta informar todos os tratamentos para acne usados nos últimos dois anos, porque alguns podem causar efeitos indesejados quando combinados com certos procedimentos.
Planejar a recuperação: algumas técnicas pedem dias afastada da rotina e várias sessões. Vale levar isso para a consulta.
Proteger do sol: no clima de Vitória, com sol forte o ano inteiro, o protetor diário ajuda a evitar manchas na pele tratada.
Quando procurar a dermatologista
Quando as cicatrizes incomodam ou afetam sua segurança e sua vida social;
Se a acne ainda está ativa e deixa novas marcas;
Se surgem espinhas profundas e dolorosas, as que mais deixam cicatriz;
Se a marca está crescendo ou ficando alta, caso que pede outra avaliação;
Antes de iniciar qualquer procedimento, para saber o tipo de cicatriz e o que faz sentido no seu caso.
A avaliação médica individual é indispensável: é nela que se define se há indicação de tratamento, qual técnica cabe em cada cicatriz e em que ordem.
Perguntas frequentes sobre cicatrizes de acne
Cicatriz de acne sai sozinha?
Em geral, não. A vermelhidão ou a mancha ao redor podem desaparecer, mas a depressão tende a permanecer, ainda que fique menos visível com o tempo.
Creme resolve cicatriz de acne?
Em cicatrizes leves, a AAD cita o retinoide e o ácido salicílico como opções que podem deixá-las menos perceptíveis. Nas cicatrizes mais profundas, os produtos tópicos costumam ter efeito limitado.
Quantas sessões são necessárias?
Não há um número fixo. Depende do tipo de cicatriz, da técnica e da resposta da pele, e costuma ser definido e revisto ao longo do acompanhamento.
Quem tem pele morena ou negra pode tratar?
Pode, com escolha cuidadosa. A AAD descreve o microagulhamento e a radiofrequência como seguros para todos os tons de pele. Em técnicas com mais calor ou agressão à pele, o risco de manchas pede atenção redobrada na indicação.
Dá para evitar novas cicatrizes?
É possível reduzir o risco. A AAD recomenda tratar a acne desde o início, não espremer nem cutucar as lesões e dar atenção especial ao caso se um parente próximo tem cicatrizes.
Agende sua avaliação em Vitória
Se as cicatrizes de acne incomodam, a consulta com a dermatologista em Vitória ES ajuda a identificar os tipos presentes na sua pele e a montar um plano realista. A Dra. Pauline Lyrio atende no Centro da Praia Shopping, na Praia do Canto, em Vitória, e recebe pacientes de toda a Grande Vitória. Agende pelo WhatsApp: (27) 99707-0222.


