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Queloide e cicatriz hipertrófica: por que algumas peles cicatrizam demais

há 3 dias
5 min de leitura

Atualizado: há 6 horas

Ilustração em corte da pele comparando cicatriz hipertrófica, dentro do limite da ferida, e queloide, que avança além dele

Queloide e cicatriz hipertrófica são cicatrizes elevadas, mas se comportam de forma diferente: a hipertrófica fica dentro dos limites do machucado e costuma ficar menos aparente com o tempo; o queloide cresce além das bordas da lesão original, avança sobre a pele sadia e raramente diminui sem tratamento. Algumas peles cicatrizam "demais" por predisposição — sobretudo genética.


Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Médica dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 2 de novembro de 2026.


Por que algumas cicatrizes ficam altas?

Toda cicatriz é o jeito que a pele encontra de fechar uma ferida: ela produz colágeno para preencher o espaço que a lesão deixou. Na maioria das pessoas, essa produção diminui quando a ferida se fecha, e a cicatriz vai ficando mais plana e mais clara com os meses.


Em algumas peles, porém, o reparo passa do ponto. Segundo a Academia Americana de Dermatologia (AAD), no queloide o corpo produz mais colágeno do que precisa para curar a pele — por isso a cicatriz fica maior que o ferimento que a causou. Na cicatriz hipertrófica, o excesso também existe, mas fica contido na área do machucado.


As duas não são contagiosas e não são perigosas para a saúde em geral. O que muda é o comportamento ao longo do tempo — e é isso que ajuda a diferenciá-las.


Como saber se é queloide ou cicatriz hipertrófica?

Só o exame da pele confirma, mas alguns sinais ajudam a entender o que está acontecendo:

  • Os limites da cicatriz: a hipertrófica fica dentro da área do corte, da espinha ou da cirurgia. O queloide ultrapassa as bordas e "invade" a pele vizinha, às vezes com contorno irregular, como se fosse um líquido derramado que endureceu.

  • Quando ela apareceu: segundo a AAD, a cicatriz hipertrófica surge um a dois meses depois do machucado. O queloide costuma demorar mais: a mesma academia descreve que os primeiros sinais aparecem de 3 a 12 meses depois da lesão, ou mais, e que cerca de 20% dos queloides surgem mais de um ano após o ferimento. O primeiro sinal costuma ser um engrossamento da pele.

  • Como ela evolui: a hipertrófica tende a ficar menos aparente com o tempo. O queloide cresce devagar por semanas, meses ou até anos e, quando para de crescer, costuma manter o tamanho — raramente regride sozinho.

  • O que ela causa: as duas podem coçar. Enquanto cresce, o queloide pode doer, arder ou ficar sensível ao toque; esses sintomas costumam diminuir quando ele estabiliza, mas nem sempre.

  • A cor: no começo, o queloide costuma ser vermelho, rosado ou um pouco mais escuro que a pele, e pode escurecer à medida que cresce.


Esses sinais orientam, mas não substituem a avaliação. Cicatrizes recentes podem ser difíceis de classificar, e outras lesões de pele podem se parecer com um queloide — por isso o diagnóstico é feito pelo dermatologista, no exame individual.


Por que algumas peles cicatrizam demais?

Nem todo mundo que tem uma cicatriz desenvolve queloide. A tendência depende sobretudo de quem cicatriza — e só depois do tipo de machucado. Os fatores mais conhecidos são:

  • Herança familiar: é o fator de maior peso. A AAD relata que entre 33% e 50% das pessoas com queloide têm pelo menos um parente de sangue com o mesmo tipo de cicatriz, o que sugere genes que aumentam a propensão.

  • Cor da pele: pessoas de todas as origens podem ter queloide, mas o risco é maior na pele negra e também em pessoas de ascendência asiática e latino-americana, segundo a AAD.

  • Idade: a faixa de maior risco vai, segundo a AAD, dos 10 aos 30 anos, mas o queloide pode surgir em qualquer idade.

  • Gestação: as mudanças hormonais da gravidez aumentam o risco, de acordo com a AAD. Veja também os cuidados com a pele na gravidez.


Os locais onde o queloide mais aparece

A maioria dos queloides surge na orelha ou no lóbulo, na linha da mandíbula, no peito, na parte superior das costas e nos ombros, segundo a AAD. Na orelha, ele costuma formar uma bolinha firme e arredondada; no peito e nos ombros, tende a se espalhar pela pele. É raro aparecer nas palmas das mãos e nas plantas dos pés.


Os gatilhos: quase toda lesão da pele conta

Em quem tem predisposição, qualquer coisa que deixa cicatriz pode desencadear um queloide. A AAD cita furos e piercings (principalmente na orelha), acne e catapora (em geral no rosto, no peito e nas costas), queimaduras, cortes, arranhões, picadas de inseto, feridas profundas, tatuagens, cirurgias, procedimentos e injeções. Inflamações da pele, como a foliculite pós-depilação, e o barbear também podem servir de gatilho. Raramente, o queloide aparece sem um machucado percebido.


Por isso, em quem já teve queloide, tratar a acne inflamatória cedo, não espremer espinhas e avisar o médico antes de qualquer cirurgia ou procedimento eletivo faz diferença. Como o sol de Vitória é forte o ano inteiro, vale saber também que, segundo a AAD, alguns queloides escurecem depois da exposição ao sol, e esse escurecimento pode ser permanente.


E o tratamento?

O queloide não costuma desaparecer sozinho e não existe um tratamento único que funcione para todos: a conduta depende do local, do tamanho, da profundidade, dos sintomas e da resposta a tratamentos anteriores, e muitas vezes combina mais de uma abordagem. A cicatriz hipertrófica também pode ser tratada quando incomoda. As opções, a remoção e o que esperar de cada uma estão explicados na página de avaliação e tratamento do queloide. Os resultados variam de pessoa para pessoa, e a indicação é sempre definida na consulta.


Quando procurar a dermatologista

  • Uma cicatriz que continua crescendo meses depois de o machucado ter fechado ou que passou das bordas da lesão;

  • Coceira, dor ou ardor que atrapalham o dia a dia;

  • Cicatriz sobre uma articulação que limita o movimento;

  • Queloide que sangra, abre ou não cicatriza;

  • Histórico pessoal ou familiar de queloide antes de colocar piercing, fazer tatuagem ou passar por uma cirurgia.


A avaliação médica individual é o que define se é queloide, cicatriz hipertrófica ou outra lesão — e o que fazer em cada caso.


Perguntas frequentes sobre queloide e cicatriz hipertrófica

Pode dar queloide em espinhas?

Pode. Em quem tem predisposição, a inflamação da acne pode deixar queloides, em geral no rosto, no peito e nas costas. Espremer as lesões aumenta a agressão à pele. As cicatrizes afundadas que a acne também pode deixar são outro tipo de marca: os tipos (ice pick, rolling, boxcar) e como cada um pode ser tratado estão no post sobre cicatrizes de acne.


O queloide aparece logo depois do machucado?

Nem sempre. Ele costuma levar meses para dar os primeiros sinais e, às vezes, aparece mais de um ano depois da lesão. Cicatriz que começa a engrossar tarde merece avaliação.


Cicatriz hipertrófica some sozinha?

Ela costuma ficar menos aparente com o tempo, mas pode continuar visível. Quando incomoda pelo relevo, pela cor ou pela coceira, há opções de tratamento a avaliar em consulta.


Queloide é contagioso?

Não. O queloide é uma forma de cicatrização da própria pele e não passa de uma pessoa para outra.


Queloide pode virar câncer?

Não: segundo a AAD, queloides não se transformam em câncer. Lesões que mudam de aspecto, porém, devem ser avaliadas — o tema está detalhado na página sobre queloide.


Agende sua avaliação em Vitória

Se você tem uma cicatriz que cresce, coça ou incomoda, ou se tem tendência a queloide e vai passar por um procedimento, a consulta com a dermatologista em Vitória ES ajuda a entender o tipo de cicatriz e o melhor caminho para o seu caso. A Dra. Pauline Lyrio atende no Centro da Praia Shopping, na Praia do Canto, em Vitória, e recebe pacientes de toda a Grande Vitória. Agende pelo WhatsApp: (27) 99707-0222.


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