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O que são as marcas brancas nas unhas?

8 de out. de 2019
8 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

As marcas ou manchas brancas nas unhas têm nome — leuconíquia — e, na maior parte das vezes, vêm de pequenos traumas na raiz da unha, não de falta de cálcio. Costumam sair sozinhas com o crescimento. Quando aparecem em várias unhas, ficam paradas ou vêm com outros sinais, vale investigar.


Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 3 de outubro de 2026.


Quase todo mundo já viu um pontinho branco surgir na unha e ouviu que era “falta de cálcio”. A explicação não se sustenta: na maior parte das vezes, a mancha conta a história de uma batida, de uma manicure mais agressiva ou do uso frequente de produtos — e desaparece sozinha. Este artigo explica de onde vêm as manchas brancas, como diferenciar as que ficam só na superfície, quando podem ser micose e em que situações, mais raras, apontam para algo além da unha.


O que é a leuconíquia?

Leuconíquia é o nome médico da cor branca na unha, seja em pontos, em faixas ou na unha inteira. A unha saudável é translúcida: o rosado que se vê é o leito, a pele cheia de vasos que fica por baixo dela. A unha parece branca quando alguma alteração passa a refletir a luz e esconde esse fundo rosado.


Uma revisão publicada em 2022 no American Journal of Clinical Dermatology organiza a leuconíquia em três tipos, conforme o lugar onde está a alteração:

  • Leuconíquia verdadeira: a alteração está dentro da própria lâmina, que já se forma com uma área esbranquiçada na matriz — a “raiz” da unha, escondida sob a cutícula. A mancha não clareia quando se aperta a unha e vai subindo à medida que ela cresce.

  • Leuconíquia aparente: a lâmina é normal; o que muda é o leito, por baixo dela. A cor branca clareia quando se aperta a unha e não acompanha o crescimento — fica parada no mesmo lugar.

  • Pseudoleuconíquia: só a superfície da unha está alterada, por algo que vem de fora, como o removedor de esmalte, a unha postiça ou um fungo. Muitas vezes, o material branco pode ser raspado.


Esses dois testes simples — apertar a unha e observar se a mancha acompanha o crescimento — ajudam o dermatologista a separar o que é marca de trauma do que merece investigação. Outra pista é a distribuição: uma mancha em uma única unha costuma ter causa local, naquele dedo; quando as unhas das mãos e dos pés mudam ao mesmo tempo, a investigação precisa considerar causas que atuam no corpo todo.


Mancha branca na unha é falta de cálcio?

Não. A revisão de 2022 é direta: os pontinhos brancos — provavelmente a forma mais comum de leuconíquia, principalmente em crianças — não têm relação com falta de cálcio ou de ferro na unha, como se acredita popularmente. Na maior parte das vezes, a causa é trauma. Com menos frequência, doenças inflamatórias como a psoríase e a alopecia areata também podem produzir esses pontos.


O cálcio só aparece nessa literatura em outro contexto: a queda grave do cálcio no sangue está entre as causas raras de faixas brancas que atingem várias unhas, ao lado de outras doenças do corpo todo. É um quadro médico, investigado com exames — não um motivo para tomar suplemento por conta própria. A mesma revisão cita deficiências de nutrientes, como a de zinco e a de selênio, entre as causas possíveis, bem menos comuns que o trauma; nesses casos, quem confirma a deficiência é o exame, e a reposição é orientada pelo médico.


Como pequenos traumas deixam manchas brancas?

A unha é fabricada pela matriz, que fica escondida sob a dobra de pele da cutícula. Quando essa região sofre uma pancada ou uma pressão repetida, a queratina se forma de maneira desorganizada naquele ponto — e o trecho da lâmina que nasce dali reflete a luz e parece branco. Como a matriz fica escondida, a mancha costuma aparecer algum tempo depois, quando aquela parte da unha cresce, e nem sempre a pessoa se lembra do que aconteceu.


Entre as causas de trauma descritas na revisão de 2022 estão:

  • Batidas e pancadas no dedo, sobretudo perto da base da unha;

  • Manicure agressiva, com a cutícula empurrada ou retirada com força — os cuidados com a manicure também aparecem no artigo sobre unhas fracas, quebradiças ou descamando;

  • Roer as unhas ou cutucar a cutícula;

  • Arrancar o esmalte lascado, que pode deixar faixas brancas atravessadas na unha;

  • Unhas dos pés compridas, que pressionam a borda contra o sapato e também formam faixas;

  • Crioterapia (aplicação de frio) para tratar verrugas perto da unha.


Como a mancha está dentro da lâmina, não adianta lixar nem passar produto: ela vai subindo com o crescimento até chegar à ponta e ser cortada. As unhas das mãos crescem cerca de 1 mm a cada 6 a 10 dias, segundo a mesma revisão, e as dos pés são mais lentas. Para comparação, a Academia Americana de Dermatologia (AAD) estima que uma unha da mão inteira leva 6 meses ou mais para se formar de novo, e a do pé, de 12 a 18 meses. Por isso, uma mancha perto da cutícula pode levar alguns meses para desaparecer.


Esmalte, removedor e unha postiça: manchas que ficam na superfície

Nem toda mancha branca vem da raiz. O esmalte, o removedor e as unhas artificiais agem principalmente sobre a superfície da lâmina. Segundo a revisão de 2022, o uso frequente de removedor e de unhas postiças desidrata a queratina da camada de cima, que passa a formar pontos brancos finos e descamativos — a chamada granulação de queratina, um tipo de pseudoleuconíquia. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) também cita o envelhecimento do esmalte sobre a unha entre as causas da descoloração esbranquiçada da superfície.


A diferença prática é que essas manchas ficam por cima: muitas vezes dá para raspá-las. Na dermatoscopia — o exame da unha com lente de aumento —, essas áreas costumam ser mais regulares e compactas do que as da micose. A cola de unha postiça (cianoacrilato) também entra na lista de causas a considerar. A orientação é dar intervalos entre as esmaltações e hidratar as unhas com frequência; a revisão aponta que o hidratante pode ajudar.


Quando a mancha branca é micose?

Algumas manchas brancas são fungo. Na onicomicose branca superficial, o fungo atinge a camada de cima da unha. Segundo a AAD, a cor branca se forma na superfície — às vezes dá para raspar um pouco —, e a unha costuma ficar mole, seca e com aspecto de pó; ela também pode parecer mais fina. A SBD lembra que a descoloração esbranquiçada da superfície pode ser o início de uma micose.


Os pontos causados pelo fungo podem se juntar e cobrir toda a superfície da unha, e a infecção pode passar para outras unhas. Como as manchas de produtos e as de micose se parecem, a confirmação é feita com exame: o material raspado da unha é analisado ao microscópio e em cultura. Com o fungo confirmado, o tratamento costuma incluir antifúngico, definido conforme a extensão — os detalhes estão na página sobre micose de unha (onicomicose). A SBD desaconselha a automedicação, que pode mascarar os sintomas.


Unha toda branca ou faixas em várias unhas: pode ser sinal de doença?

Na maioria das vezes, a cor branca na unha não é sinal de alarme, segundo a revisão de 2022 — mas, às vezes, ela é a pista de uma doença em outro órgão. Os padrões mais descritos são:

  • Faixas brancas atravessadas nas unhas das mãos e dos pés: quando surgem ao mesmo tempo em tantas unhas, pedem a investigação de uma causa sistêmica. Os quimioterápicos são os medicamentos mais envolvidos, e algumas intoxicações, como a por arsênio, produzem as chamadas linhas de Mees.

  • Faixas duplas que clareiam quando se aperta a unha (linhas de Muehrcke): ficam paralelas à meia-lua da base e foram descritas na queda importante da albumina no sangue; hoje se sabe que aparecem também em doenças dos rins e em outras condições.

  • Unha quase toda branca, com uma faixa rosada na ponta (unhas de Terry): associadas principalmente à cirrose do fígado, mas também à insuficiência cardíaca, à insuficiência renal e ao diabetes — e podem aparecer com o envelhecimento.

  • Metade branca perto da cutícula e metade rosada ou acastanhada na ponta (unhas “meio a meio”): são encontradas em cerca de 10% a 30% das pessoas com doença renal crônica, e o achado deve levar à avaliação dos rins.

  • Unhas brancas desde a infância, em várias pessoas da família: é a leuconíquia hereditária, rara, que pode vir sozinha ou acompanhada de outras alterações da pele.


A AAD também inclui as unhas brancas entre as mudanças de cor que podem acompanhar doenças do fígado e o diabetes, e as unhas metade rosadas, metade brancas entre as que podem acompanhar doenças dos rins — com a ressalva de que mudar de cor não significa, por si só, ter uma doença. Nesses padrões, a avaliação costuma incluir exames de sangue para afastar problemas nos rins, no fígado e em outros órgãos.


Quando investigar as manchas brancas?

Os pontinhos isolados, que sobem com a unha e desaparecem, costumam pedir só paciência. Vale marcar uma avaliação dermatológica das unhas quando:

  • a mancha não acompanha o crescimento e continua no mesmo lugar;

  • várias unhas mudam ao mesmo tempo, sobretudo nas mãos e nos pés;

  • a unha fica toda branca, ou metade branca e metade rosada ou acastanhada;

  • as faixas brancas se repetem sem uma causa clara;

  • a área branca se espalha, esfarela ou solta pó;

  • há espessamento, descolamento, dor ou outra mudança de cor na unha;

  • a mudança surge durante um tratamento com medicamentos ou junto de uma doença já conhecida.


Na consulta, o exame clínico e a dermatoscopia costumam bastar; quando há suspeita de fungo, o exame do raspado da unha confirma, e os exames de sangue entram quando o padrão sugere uma causa no corpo todo. A conduta é definida na avaliação individual, e os resultados de qualquer tratamento variam de pessoa para pessoa.


Como cuidar das unhas para evitar novas manchas

Para os pontinhos causados por trauma, a revisão de 2022 recomenda cuidado delicado com as unhas:

  • não empurrar nem retirar a cutícula com força;

  • dar intervalos ao esmalte, ao removedor, às unhas artificiais e à cola;

  • hidratar as unhas e a pele ao redor com frequência;

  • evitar pancadas e manter as unhas dos pés curtas, para que a borda não seja pressionada pelo sapato.


Como a mancha de trauma não tem relação com o cálcio, suplemento não é tratamento para ela: ela sai com o crescimento da unha. Reposição de nutriente só faz sentido quando a deficiência é confirmada na avaliação.


Perguntas frequentes

As manchas brancas somem sozinhas? Em quanto tempo?

As causadas por trauma, sim: elas sobem com a unha e saem no corte. Nas mãos, isso costuma levar alguns meses; nos pés, bem mais, porque as unhas crescem mais devagar. Se a mancha fica parada no mesmo lugar, não é desse tipo e merece avaliação.


Mancha branca na unha pode ser micose?

Pode. Quando o fungo atinge a superfície, a unha fica branca, mole e com aspecto de pó, e a infecção pode passar para outras unhas. Só o exame do material raspado confirma o fungo — e as manchas de removedor e de unha postiça podem ser muito parecidas.


Unha toda branca é sinal de doença?

Nem sempre, mas merece avaliação. A unha inteira branca pode ser hereditária, aparecer com o envelhecimento ou acompanhar doenças do fígado, dos rins e do coração, além do diabetes. O exame da unha e, se preciso, exames de sangue esclarecem a causa.


Esmalte e acetona causam manchas brancas?

Podem causar manchas na superfície. O uso frequente de removedor e de unhas artificiais resseca a camada de cima da lâmina e forma pontos brancos finos, que descamam. Intervalos entre as esmaltações e hidratação ajudam; já arrancar o esmalte lascado pode machucar a unha e deixar faixas brancas.


Tomar cálcio ou vitamina ajuda a mancha a sumir?

Não no caso das manchas de trauma, que não têm relação com o cálcio: elas desaparecem com o crescimento da unha. Deficiências de nutrientes, como a de zinco e a de selênio, são causas pouco comuns e precisam ser confirmadas antes de qualquer reposição.


Avaliação das unhas em Vitória ES

Se as manchas brancas não saem com o crescimento, aparecem em várias unhas ou vêm acompanhadas de outras alterações, a Dra. Pauline Lyrio examina as unhas, a pele ao redor e o histórico de hábitos e de saúde para chegar à causa — e explica o que pode ser feito em cada caso. A avaliação faz parte da dermatologia clínica em Vitória ES.


O consultório fica no Centro da Praia Shopping, na Praia do Canto, em Vitória, e atende pacientes de toda a Grande Vitória, de segunda a sexta, das 08:00 às 18:00.


 
 
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