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Outubro Rosa: cuidados com a pele durante a quimioterapia e a radioterapia

24 de set.
6 min de leitura
Corte da pele com três áreas: barreira ressecada, área irradiada avermelhada e pele sensível ao sol

Durante a quimioterapia e a radioterapia, a pele costuma ficar mais seca, sensível ao sol e reativa, e cabelos e unhas também podem mudar. Os cuidados que têm evidência são simples: limpeza suave, hidratação diária, proteção solar e atenção aos sinais de alerta — sempre combinados com a equipe de oncologia, que conhece o seu tratamento.


Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 24 de setembro de 2026.


Por que falar de pele no Outubro Rosa?

O Outubro Rosa lembra a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Para quem já está em tratamento, porém, a pergunta do dia a dia costuma ser outra: o que fazer com a pele que descama, o cabelo que cai e as unhas que escurecem? São efeitos frequentes, que raramente ameaçam o tratamento, mas pesam no conforto, na autoestima e na rotina.


A dermatologia entra aqui como cuidado de apoio. Ela não substitui nem altera o plano oncológico; ajuda a prevenir e a aliviar o que acontece na pele, nos cabelos e nas unhas enquanto o tratamento segue. Este texto não trata do câncer de pele em si — para isso, veja a página sobre diagnóstico e tratamento do câncer de pele.


O que muda na pele durante a quimioterapia?

Os quimioterápicos agem sobre células que se multiplicam rápido — e a pele, o folículo do cabelo e a matriz da unha estão entre elas. Por isso, os efeitos mais comuns são:

  • Ressecamento e descamação, com coceira e sensação de pele "repuxando".

  • Fotossensibilidade: alguns medicamentos deixam a pele mais reativa ao sol, com vermelhidão ou manchas após exposições curtas.

  • Queda de cabelo, que depende do esquema usado — alguns causam queda intensa; outros, pouca ou nenhuma.

  • Alterações nas unhas: faixas escuras, fragilidade, descolamento da unha e inflamação ao redor.

  • Síndrome mão-pé: vermelhidão, dor e descamação nas palmas e nas plantas, associada a alguns quimioterápicos, como a capecitabina.


Nem toda pessoa terá todos esses efeitos, e a intensidade varia com o medicamento, a dose e a pele de cada um. Por isso, a orientação individual — da oncologia e, quando necessário, da dermatologia — vale mais que qualquer lista pronta.


Rotina de pele que ajuda durante o tratamento

Na pele fragilizada, menos é mais. Os pilares são poucos:

  • Banho morno e rápido, com sabonete suave, sem esfregar com bucha. Secar com toques leves.

  • Hidratante logo após o banho, sem perfume, em todo o corpo — e reaplicado nas áreas que ressecam mais. A lógica é a mesma da pele ressecada do eczema de inverno: repor a barreira antes que ela rache.

  • Protetor solar diário nas áreas expostas, além de chapéu, roupas e sombra. No sol de Vitória, a fotossensibilidade de alguns quimioterápicos transforma poucos minutos de exposição em irritação.

  • Nada de novidades agressivas: ácidos, esfoliantes, peelings caseiros, depilação com cera e procedimentos estéticos ficam em pausa até conversar com a equipe.


Um cuidado importante: não comece pomadas, óleos ou suplementos por conta própria, mesmo os "naturais". Alguns interferem na pele irradiada ou em exames, e a equipe precisa saber de tudo o que está em uso.


Radioterapia: como cuidar da pele irradiada

A radiodermatite — a reação da pele na área tratada — é o efeito cutâneo mais comum da radioterapia. Costuma começar como vermelhidão e ressecamento e pode evoluir para descamação e ferida superficial, sobretudo em dobras como a axila e o sulco sob a mama.


A boa notícia é que a pesquisa sobre o tema evoluiu. Uma revisão sistemática com 235 estudos, 149 deles randomizados, publicada no EClinicalMedicine em 2023, mostrou que a maioria dos produtos testados ao longo das décadas não tem evidência suficiente para ser recomendada. A partir dela, a Associação Multinacional de Cuidados de Suporte em Câncer (MASCC) reuniu 42 especialistas internacionais num consenso publicado no Lancet Oncology: poucas medidas preventivas chegaram a ser recomendadas — entre elas, corticoides tópicos específicos, alguns filmes protetores e a fotobiomodulação em pessoas com câncer de mama —, e todas dependem da indicação da equipe de radioterapia.


Na prática, dois mitos antigos caíram:

  • Pode lavar a área irradiada. Uma revisão sistemática com meta-análise que analisou quatro ensaios randomizados, no Supportive Care in Cancer, concluiu que lavar a pele, com ou sem sabonete, se associou a radiodermatite menos grave. Água morna, sabonete suave e secagem sem atrito.

  • Desodorante não precisa ser proibido. Outra meta-análise do mesmo periódico, com cinco ensaios randomizados em câncer de mama, não encontrou aumento de radiodermatite, coceira ou dor com o uso de desodorante ou antitranspirante. Se a pele da axila estiver ferida, porém, a orientação muda — pergunte à sua equipe.


Outros cuidados de bom senso: roupas de algodão e sem aro na área tratada, nada de bolsas quentes ou gelo sobre a pele irradiada, e não retirar as marcações feitas pela equipe.


Queda de cabelo: o que se sabe sobre a touca gelada

A queda de cabelo da quimioterapia é diferente da queda comum: ela acontece porque o medicamento interrompe o fio em plena fase de crescimento, e por isso pode ser rápida. Na maioria dos casos o cabelo volta a crescer depois do fim do tratamento, às vezes com textura ou cor diferentes no início.


O resfriamento do couro cabeludo (a "touca gelada") reduz o fluxo de sangue no couro cabeludo durante a infusão. No ensaio randomizado SCALP, publicado no JAMA, mulheres com câncer de mama em estágio inicial que usaram o resfriamento tiveram preservação do cabelo em 50,5% dos casos, contra nenhuma no grupo sem resfriamento — preservação definida como perda menor que metade, sem necessidade de peruca. Os resultados variam com o esquema de quimioterapia, e a indicação é decidida pela oncologia.


Durante e depois da quimioterapia, o couro cabeludo pede delicadeza: xampu suave, nada de química (tintura, alisamento) sem liberação, e proteção solar com chapéu ou lenço. Quando a queda persiste meses após o fim do tratamento, uma avaliação de queda de cabelo com a dermatologista ajuda a investigar outras causas.


Unhas e síndrome mão-pé

As unhas crescem devagar, então as alterações podem aparecer semanas depois do início do tratamento e demorar meses para sair. Manter as unhas curtas, usar luvas nas tarefas domésticas, hidratar cutículas e evitar retirar cutícula ou usar unha postiça reduz o risco de inflamação. Se as unhas já eram frágeis antes do tratamento, veja também o que diferencia unhas fracas, quebradiças ou com micose.


Com os taxanos, uma revisão sistemática com meta-análise no European Journal of Cancer Care, que reuniu 708 pacientes, mostrou menos alterações nas unhas com o resfriamento das mãos e dos pés durante a infusão. É uma medida feita no próprio centro de tratamento, conforme o protocolo da equipe.


Na síndrome mão-pé associada à capecitabina, um ensaio randomizado de fase III publicado no Journal of Clinical Oncology observou a síndrome em 22,4% de quem usou creme de ureia a 10%, contra 39,5% no grupo que usou outra pomada, nas primeiras seis semanas. Evitar calor, atrito e sapatos apertados também faz parte da prevenção.


Quando avisar a equipe imediatamente

Procure a equipe de oncologia sem esperar a próxima consulta se aparecer:

  • bolhas, feridas abertas ou pele que sangra;

  • vermelhidão que se espalha, calor local, secreção ou febre;

  • dor nas mãos ou nos pés que atrapalha andar ou segurar objetos;

  • inflamação com pus ao redor das unhas;

  • manchas ou coceira intensa pelo corpo.


Esses sinais podem pedir ajuste de dose ou tratamento específico — decisões que cabem ao oncologista.


Onde entra a dermatologista

A consulta dermatológica pode complementar o acompanhamento oncológico: ajustar a rotina de pele, tratar ressecamento, coceira e alterações de unhas e couro cabeludo, e acompanhar o crescimento do cabelo depois do tratamento — sempre em diálogo com a equipe de oncologia. Cada caso é avaliado individualmente, e a conduta depende do tratamento em curso.


Perguntas frequentes

Posso usar protetor solar durante a quimioterapia?

Sim, e é recomendado, porque alguns quimioterápicos aumentam a sensibilidade ao sol. Prefira fórmulas para pele sensível, sem perfume, e combine com chapéu e sombra. Na área que recebe radioterapia, siga a orientação da equipe sobre o que aplicar.


Posso tomar banho e lavar a mama durante a radioterapia?

Sim. A evidência atual mostra que lavar a pele, com ou sem sabonete suave, se associou a radiodermatite menos grave. Use água morna e seque com toques leves.


Posso usar desodorante na radioterapia de mama?

Os estudos não mostraram piora da radiodermatite com desodorante ou antitranspirante. Se a pele da axila estiver ferida ou muito irritada, pergunte à equipe antes de usar.


O cabelo volta a crescer depois da quimioterapia?

Na maioria dos casos, sim, depois do fim do tratamento — às vezes com textura ou cor diferentes no início. Queda que persiste por meses merece avaliação.


Posso fazer procedimentos estéticos durante o tratamento?

Em geral, procedimentos eletivos ficam para depois. A liberação depende do seu tratamento, dos exames e da avaliação conjunta com a oncologia.


Leia também


Está em tratamento oncológico e quer cuidar da pele, dos cabelos ou das unhas em Vitória? Agende sua avaliação pelo WhatsApp (27) 99707-0222. A avaliação médica individual define os cuidados de cada caso, em conjunto com a sua equipe de oncologia.

 
 
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