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Leucodermia solar, sarda branca, manchas brancas

23 de jan. de 2018
6 min de leitura

Atualizado: 26 de set.

Ilustração de antebraço com pequenas manchas brancas arredondadas e lupa ampliando a pele

Manchas brancas na pele têm várias causas — e a leucodermia solar, também chamada de sarda branca, é uma das mais comuns depois da meia-idade. São pequenas manchas claras, arredondadas, que aparecem nos braços, nas pernas e no colo, as áreas que mais tomaram sol ao longo da vida. Elas são benignas, mas se parecem com outras condições que pedem tratamento diferente, como vitiligo, micose e até hanseníase. Por isso, o primeiro passo é sempre o diagnóstico.


Conteúdo revisado por Dra. Pauline Lyrio — Dermatologista · CRM/ES 10809 · RQE 8532. Especialização em Tricologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Membro da SBD e da AAD. Última atualização: 26 de setembro de 2026.


O que é leucodermia

Leucodermia é o nome genérico para qualquer área em que a pele fica mais clara do que o normal. A cor da pele vem da melanina, o pigmento produzido pelos melanócitos. Quando essas células diminuem em número ou produzem menos pigmento naquele ponto, surge uma mancha branca ou esbranquiçada.


O termo, portanto, descreve o que se vê, e não a causa. "Manchas brancas na pele" podem ser consequência do sol, de uma doença autoimune, de um fungo, de uma inflamação que já passou ou de uma infecção. Cada uma tem evolução e tratamento próprios.


Leucodermia solar (sardas brancas)

A leucodermia solar — nome técnico: hipomelanose gutata idiopática — é uma das causas mais comuns de pequenas manchas brancas em adultos. "Gutata" quer dizer "em gotas": são manchas de poucos milímetros, bem delimitadas, de um branco que lembra porcelana, lisas e sem descamação. Não coçam, não doem e não se espalham de uma pessoa para outra.


Onde e quando aparece

Aparecem sobretudo na face externa dos antebraços e na parte da frente das pernas, mas também podem surgir em outras áreas expostas ao sol. Uma revisão publicada no American Journal of Clinical Dermatology descreve que ela costuma afetar pessoas acima dos 40 anos e que a chance de aparecer aumenta com a idade. É comum que o número de manchas cresça devagar ao longo dos anos.


Por que aparece

A causa exata não está totalmente esclarecida. A mesma revisão aponta um conjunto de fatores: o envelhecimento da pele, a radiação ultravioleta acumulada, pequenos traumas, predisposição genética e alterações locais na produção de melanina. Como as manchas se concentram nas áreas mais expostas, o sol é considerado o principal fator que se pode controlar.


Outras causas de manchas brancas na pele

Algumas condições podem parecer leucodermia solar à primeira vista. As principais:

  • Vitiligo: segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, é causado pela diminuição ou ausência de melanócitos e parece ter relação com fenômenos autoimunes. As manchas costumam ser maiores, de tamanho variável e com distribuição característica — muitas vezes nos dois lados do corpo, começando por mãos, pés, nariz e boca. Não é contagioso. Veja mais sobre o tratamento do vitiligo.

  • Pitiríase versicolor ("pano branco"): é uma micose superficial causada por fungos do gênero Malassezia. Forma manchas arredondadas com uma descamação fina, em geral no tronco e nos braços, e é favorecida por calor, umidade e suor, segundo a SBD. Tem tratamento com antifúngicos — veja a página de micose de pele.

  • Hipopigmentação pós-inflamatória: áreas mais claras que ficam depois de uma inflamação da pele, como eczema, psoríase ou uma queimadura. Tendem a melhorar aos poucos quando a causa é controlada.

  • Pitiríase alba: manchas claras, pouco delimitadas e às vezes ásperas, mais comuns no rosto de crianças e adolescentes, frequentemente em quem tem pele seca ou atópica.

  • Hanseníase: o Ministério da Saúde lista, entre os sinais da doença, manchas brancas, avermelhadas ou acastanhadas com alteração da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor ou ao toque. A hanseníase tem cura e tratamento gratuito pelo SUS — por isso, mancha com dormência merece avaliação sem demora.


Como o dermatologista diferencia

Na maioria das vezes, o diagnóstico é clínico: o dermatologista observa o formato, o tamanho, a cor, a localização e a textura das manchas, e pergunta há quanto tempo elas existem e se mudaram. A dermatoscopia, que amplia a pele, ajuda a reconhecer padrões de cada condição. A lâmpada de Wood, uma luz especial, também pode ser usada — na pitiríase versicolor, por exemplo, as lesões fluorescem de forma característica, de acordo com a SBD.


Quando há suspeita de hanseníase, entram os testes de sensibilidade da pele. Em casos duvidosos, exames complementares, como a pesquisa de fungos por raspagem ou a biópsia, podem ser indicados.


Tratamento da leucodermia solar

A leucodermia solar é benigna e não traz risco à saúde. O tratamento, quando desejado, tem objetivo estético: tentar devolver cor às manchas e evitar que novas apareçam. Não existe um tratamento padrão. A revisão de 2016 lista várias opções já testadas, com resultados variáveis. Em 2025, uma revisão sistemática publicada na Clinical and Experimental Dermatology reuniu 20 estudos sobre o tema e concluiu que diversas intervenções podem repigmentar as manchas — a maioria delas por meio de um microtrauma controlado na pele —, mas que ainda faltam estudos grandes, padronizados e com acompanhamento longo para saber quanto tempo a melhora se mantém.


MMP (microinfusão de medicamentos na pele)

A MMP é uma técnica da família do microagulhamento: um aparelho com microagulhas cria microcanais na pele e, ao mesmo tempo, leva um medicamento para dentro da mancha. A ideia é estimular os melanócitos que restam na área a voltar a produzir pigmento.


Um ensaio clínico brasileiro publicado em 2023 na Dermatologic Surgery comparou, no mesmo paciente, um membro tratado com medicamento e o outro com soro fisiológico, em 29 pacientes. As manchas diminuíram nos dois lados, mas a redução foi maior no lado do medicamento — o que sugere que tanto o microtrauma quanto a substância participam do efeito. É um estudo pequeno, com seguimento curto, e os resultados variam de pessoa para pessoa.


A indicação, o medicamento, o número de sessões e o intervalo entre elas são definidos na avaliação, conforme a quantidade de manchas, a região e o tipo de pele. Nem toda mancha repigmenta, e a proteção solar continua indispensável depois do tratamento.


Outras opções descritas na literatura

Os estudos também descrevem crioterapia, dermoabrasão superficial, lasers fracionados e medicamentos de uso tópico, como retinoides e inibidores de calcineurina. Todas têm evidência limitada e riscos próprios — por exemplo, deixar a área mais clara ou mais escura do que o esperado. Qual abordagem faz sentido, se alguma, depende da avaliação de cada caso.


Prevenção: o sol acumulado

Como a leucodermia solar está ligada à radiação ultravioleta acumulada, a fotoproteção ao longo da vida é a principal forma de reduzir o aparecimento de novas manchas: protetor solar nas áreas expostas, inclusive braços e pernas, roupas com proteção, chapéu e sombra nos horários de sol mais forte. É o mesmo cuidado que protege contra o envelhecimento precoce e contra o câncer de pele.


Um ponto de atenção: bronzear-se para "disfarçar" as manchas tem o efeito contrário. A pele ao redor escurece, o contraste aumenta e o dano solar que está na origem do problema continua se somando.


Quando procurar o dermatologista

Toda mancha branca nova merece uma avaliação para confirmar a causa. Procure atendimento sem demora se a mancha:

  • tiver dormência ou perda de sensibilidade ao calor, ao frio, à dor ou ao toque;

  • aumentar de tamanho ou se espalhar rapidamente;

  • descamar ou coçar;

  • surgir nos dois lados do corpo, nas mãos, nos pés, ao redor do nariz ou da boca;

  • aparecer em uma criança.


Perguntas frequentes

Leucodermia solar tem cura?

Não há um tratamento que garanta o retorno completo do pigmento. Técnicas como a MMP podem amenizar as manchas em parte dos casos, e a fotoproteção ajuda a evitar novas lesões. Os resultados variam de pessoa para pessoa.


Sarda branca é a mesma coisa que vitiligo?

Não. A sarda branca está ligada ao sol acumulado e ao envelhecimento da pele e forma manchas pequenas, de poucos milímetros. O vitiligo tem relação com fenômenos autoimunes e costuma formar manchas maiores, com distribuição característica. Só o exame dermatológico diferencia com segurança.


Leucodermia solar pega?

Não. Não é infecção e não passa de uma pessoa para outra — nem por contato, nem por objetos.


As manchas brancas podem virar câncer de pele?

A leucodermia solar é benigna e não se transforma em câncer. Ela é, porém, um sinal de que aquela pele recebeu muito sol ao longo dos anos — motivo a mais para manter a fotoproteção e o acompanhamento dermatológico.


Quantas sessões de MMP são necessárias?

Depende da quantidade de manchas, da região e da resposta de cada pele. O número de sessões e o intervalo entre elas são definidos na avaliação e ajustados ao longo do tratamento.


Avaliação em Vitória (ES)

O diagnóstico das manchas brancas faz parte da dermatologia clínica. Na consulta, a Dra. Pauline Lyrio examina as manchas, confirma a causa e, quando for o caso, discute as opções de tratamento. O consultório fica no Centro da Praia Shopping, na Praia do Canto, em Vitória, e atende pacientes de toda a Grande Vitória, de segunda a sexta, das 08:00 às 18:00.


 
 
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